11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Brasileiro destina fatia maior para dívidas

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

O brasileiro tem dedicado uma fatia maior do orçamento para pagar dívidas e está com menos dinheiro para investir. A conclusão é da Pesquisa de Orçamento Familiar 2017-2018, divulgada no início do mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa mostra ainda que, entre as despesas correntes das famílias, cresceram os gastos com educação, saúde e higiene e cuidados pessoais. O maior acesso a smartphones também impactou o orçamento, com alta de 200% nos gastos com celular e acessórios.

A pesquisa concluiu que despesa média das famílias brasileiras é de R$ 4.649,03. Desse total, 92,7% são destinados a despesas correntes, com moradia, transporte, educação e consumo, percentual praticamente estável em relação à pesquisa anterior.

A parcela destinada ao pagamento de dívidas cresceu de 2,1% para 3,2%, puxada pela quitação de empréstimos, que subiu de 1,4% para 2,4%. Já a fatia para aumento do ativo, ou investimentos, caiu de 5,8% para 4,1%, com menos espaço para gastos em aquisição de imóveis e reformas.

"As famílias estão gastando muito com manutenção e ficando com menos dinheiro para fazer investimento", comentou o gerente da pesquisa, André Martins. O resultado mostra interrupção de movimento de alta no investimento captada pelo levantamento anterior.

A parcela destinada a outras despesas correntes, como o pagamento de impostos, contribuições trabalhistas ocupa 11,7% do orçamento. Neste item, houve grande alta das tarifas bancárias, cuja fatia no orçamento das famílias cresceu 150% desde e última pesquisa.

O dado mostra que a concorrência de fintechs e seus serviços financeiros sem custos ainda não foi suficiente para deter o crescimento do peso desses serviços no orçamento. As tarifas bancárias responderam por 1% da despesa, contra 0,4% na pesquisa anterior.

Entre as despesas correntes de maior peso no orçamento, houve queda das fatias destinadas a alimentação (-1,9 ponto percentual) e transporte (-1,4 ponto percentual), que representaram, respectivamente, 14,2% e 14,6% do orçamento. A parcela da habitação, a maior delas, ficou praticamente estável, em 29,6%.

Pela primeira vez, a despesa com transporte ultrapassou a parcela destinada à alimentação, embora a pesquisa mostre aumento nos gastos com alimentação fora de casa tanto entre os mais ricos quanto entre a população da zona rural.

Historicamente, os levantamentos do IBGE mostram que o gasto com alimentação tem caído, as despesas com habitação e transportes apresentam ligeira estabilidade, enquanto as áreas de saúde e educação ganham relevância no orçamento familiar.