09 de julho de 2026
Nacional

Diversidade com cultura afro, causa trans e ageless nas passarelas

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Plural, diversa, responsável e inclusiva. A moda da próxima década está pautada em movimentos de expressão - e não de exclusão. Prova disso foram os desfiles do São Paulo Fashion Week, no Pavilhão das Culturas, no Parque do Ibirapuera. Nas passarelas, a diversidade de etnias e tipos físicos deixou claro que a era das modelos muito brancas e muito magras acabou.

Imagens altamente glamourosas, assim como belezas inatingíveis, não criam empatia e identificação, e não ecoam nas redes sociais no Brasil. Por isso, perderam o encanto. "A moda desceu do salto e isso é um sinal dos tempos. O próprio SPFW está menor, mais despretensioso, mais pé no chão. Não cabem mais editoras de moda esnobes, não cabe mais carão", diz Daniel Falcão, CEO da Globo Condé Nast, que publica a revista Vogue.

Daniel lembra que, com a fragmentação da comunicação e das formas de produção e de varejo pela internet, a moda se democratizou. Em busca de ações que engajem a audiência, as marcas assumem a defesa de diversas bandeiras e causas, muitas delas ligadas ao universo LGBTQ . Não à toa, o brasiliense Sam Porto assumiu o posto de primeiro homem transgênero a desfilar no evento e já estreou como um dos recordistas de desfiles, sendo destaque em nove das 26 apresentações da temporada.

Aos 25 anos, Sam, tatuador em Brasília, foi escalado tanto para menores e mais alternativos, quanto para marcas consagradas. Para a Korshi, marca jovem participante do Projeto Estufa, Sam chegou a desfilar de peito aberto, com as cicatrizes da cirurgia de remoção à mostra.

Entre os desfiles mais disputados, estavam os de dois estilistas negros estreantes no evento, Isaac Silva e Ângela Brito, ambos interpretando suas origens africanas, questionando o status quo e transformando a passarela em uma espécie de lugar de fala. A coleção de Isaac, Acredite no seu Axé, composta só de looks brancos exibidos por modelos pretos, foi ovacionada efusivamente do início ao fim.

A plateia, formada por amigos do estilista, clientes da marca, além de artistas e ativistas negros, reagiu a tudo com vibração, alegria e energia, ao contrário dos gestos contidos e ares blasés que normalmente imperam nesse ambiente. "Moda é cultura, é uma maneira de valorizar nossa ancestralidade", diz o estilista.