Rio de Janeiro - As análises feitas pela Petrobras sobre o óleo que chega às praias do Nordeste desde o fim de agosto concluiu que se trata de uma mistura da produção de três campos na Venezuela. A companhia frisou, porém, que investigações apontam como provável origem o derramamento por um navio.
Em entrevista nesta sexta (25), o diretor de Assuntos Corporativos da estatal, Eberaldo de Almeida Neto, disse que a Petrobras comparou o combate ao vazamento a "procurar agulha no palheiro", já que não se sabe a origem do vazamento.
"A gente comparou a análise da origem com mais de 30 amostras e concluiu que ela é de três campos venezuelanos, um blend [mistura] do petróleo de lá", afirmou Eberaldo, durante encontro que detalhou o resultado da companhia no terceiro trimestre.
O governo já havia confirmado que os estudos da Petrobras apontavam a Venezuela como origem do petróleo. Análise feita pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) chegou a conclusão semelhante.
O diretor da Petrobras disse que o desconhecimento sobre a origem do vazamento dificulta a estratégia de combate, já que só é possível identificar o produto quando ele atinge as praias. A empresa fez sobrevoos no litoral do Nordeste, mas não conseguiu identificar o caminho do óleo. Assim, disse o executivo, não é possível instalar barreiras de contenção para evitar que as manchas toquem a costa.
"Quando vaza de uma instalação de produção, a gente detecta a origem e consegue combater mais fácil. Quando não tem o fator de origem, não se sabe como foi e quando foi, é como [procurar] agulha no palheiro."
ILHÉUS
Órgãos que atuam no monitoramento das manchas de óleo que contaminam as praias do Nordeste observaram na manhã desta sexta-feira, 25, a chegada do produto a Ilhéus, no sul do da Bahia. Conforme o governo do Estado, 15 municípios baianos já foram atingidos pelo óleo, que chegou ao Estado no início do mês de outubro.
Por causa da gravidade da situação, o Executivo estadual decretou emergência. Além de Ilhéus, o óleo já chegou a Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Conde, Esplanada, Vera Cruz, Itaparica, Itacaré, Jandaíra, Entre Rios, Cairu, Maraú e Mata de São João, a maioria destinos turísticos.
De acordo com balanço do Ibama, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, já há 238 locais afetados na costa nordestina.