08 de julho de 2026
Internacional

Maior marcha desde a Era Pinochet

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - No oitavo dia de protestos no Chile, a temperatura seguiu altíssima nas ruas. Mais de 820 mil pessoas se reuniram em uma manifestação pacífica na Praça Itália - um dos principais locais dos atos, próxima ao palácio presidencial em Santiago. A cifra foi divulgada por um órgão da capital vinculado ao Ministério do Interior e da Segurança Pública. Em todo o País mais de um milhão de pessoas foram às ruas. O Chile tem uma população de 5,6 milhões de habitantes.

A convocação para a mobilização desta sexta (25), chamada pelos ativistas de "a maior marcha do Chile", foi feita pelas redes sociais, já que os movimentos que assolam o país não têm uma liderança clara.

CONGRESSO ESVAZIADO

A 110 km dali, na cidade costeira de Valparaíso, o Congresso Nacional foi esvaziado por volta do meio-dia de sexta por ordem do presidente da Câmara dos Deputados, Iván Flores, devido aos confrontos com a polícia que ocorriam do lado de fora.

Ele disse que a medida foi preventiva e que não havia muitos funcionários no prédio, onde ocorria uma sessão da Comissão de Trabalho. "Não é uma evacuação, mas sugeri que eles [os parlamentares] voltassem para casa", disse Flores, acrescentando que a tensão social que o país vive é "sem precedentes".

COMO COMEÇOU

Há uma semana, um protesto estudantil contra o aumento do preço das passagens de metrô resultou em uma explosão social sem precedentes, a mais grave em quase 30 anos desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

As mobilizações cresceram e logo congregaram diversas reivindicações sociais, como melhoria no acesso à saúde e à educação, serviços privatizados e que consomem boa parte da renda dos chilenos. O Chile é uma das economias mais estáveis, mas, ao mesmo tempo, mais desiguais da América Latina.

O sistema previdenciário também é outro ponto nevrálgico, muito criticado pelos baixos vencimentos e pagamentos atrasados. Em pronunciamento após o início dos protestos, o presidente Sebastián Piñera anunciou aumento de 20% nas pensões.

Santiago tinha mais linhas de metrô operando parcialmente em relação aos últimos dias. É uma lenta recuperação em comparação ao fim de semana passado, quando o serviço suspendeu completamente seu funcionamento na esteira de ataques a dezenas de estações.

BOLSONARO

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou em Pequim que as manifestações que ocorreram no Chile são um "ato terrorista".

"O problema do Chile foi gravíssimo. Aquilo não é manifestação, nem reivindicação. São atos terroristas", disse. Bolsonaro voltou a afirmar que tem conversado com o mistério da Defesa, caso ocorra episódios similares no Brasil. "As tropas tôm que estar preparadas para fazer a manutenção da lei e da ordem", disse.

O presidente disse ainda que já recebeu informes de reuniões e atos preparatórios de possíveis "manifestações não legais" sendo planejadas no Brasil.