Abu Dhabi - O Brasil deixou de cuidar da área de Defesa por ideologia e precisa se rearmar, disse o presidente Jair Bolsonaro nos Emirados Árabes Unidos (EAU). "O Brasil foi esquecido nessa área desde o governo Fernando Henrique Cardoso. Por quê? Voltando agora à ideologia, nós somos o grande obstáculo para o socialismo, nós das Forças Armadas. Por isso interessava quebrar nossa espinha dorsal."
A declaração foi feita em Abu Dhabi na noite deste sábado (26), horário local, durante cerimônia de oferenda floral no Monumento aos Mártires da Pátria (Wahat Al Karama), primeiro compromisso oficial da viagem presidencial aos Emirados Árabes Unidos. Bolsonaro foi recebido no memorial pelo xeque Khalifa bin Tahnoun Al Nahyan, diretor do Gabinete de Assuntos Relativos aos Mártires. A recepção oficial, pelo xeque Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, primeiro-ministro e vice-presidente emiradense, será neste domingo (27).
O Brasil fechou com o país dois acordos de cooperação na área de Defesa. Segundo o presidente, o país precisa se rearmar para ter capacidade de se defender. "Ninguém quer um Brasil extremamente belicoso, mas precisamos ter um mínimo de poder de dissuasão. "
Bolsonaro não falou sobre negócios ou acordos específicos, que, segundo ele, são de responsabilidade do ministro Fernando Azevedo (Defesa) . O Brasil quer vender aos árabes cargueiros da Embraer e trouxe ao país do Golfo 29 empresas da área de Defesa, sob coordenação do almirante Almir Garnier.
O titular da pasta ficou no Brasil por causa dos trabalhos de contenção de danos do vazamento de óleo na costa do país. Os memorandos firmados com o país árabe foram sobre a constituição e operação do Fundo Brasil-Emirados Árabes de Cooperação Estratégica para Expansão da Capacidade Produtiva do Setor de Defesa e um Memorando de Entendimento sobre Parceria Estratégica relacionada ao Desenvolvimento, Produção e Comercialização de Produtos de Defesa. O Itamaraty não detalhou o conteúdo dos acordos.
Os Emirados são a terceira escala de viagem presidencial que começou pelo Japão, continuou pela China e deve ainda passar pelo Catar e pela Arábia Saudita.
Nos países árabes, o foco deve ser atrair investimentos para as rodadas de privatização e obras de infraestrutura que, no total, podem chegar a R$ 1,3 trilhão, segundo o Itamaraty.
Sem a presença dos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, as negociações da área econômica estão sendo coordenadas pelo chefe da assessoria especial de assuntos institucionais, Caio Megale.
Nas conversas, o governo pretende reforçar sua intenção de facilitar a vida do setor privado para firmar negócios.