Na cidade de Casa Nova, a obra é vista com pela comunidade como um retrato do desperdício de recursos públicos. E expõe o contraste com uma cidade pobre em que a eletricidade chegou a apenas 74,4% das casas da zona rural. Separados apenas por uma cerca do terreno onde foram instaladas as torres eólicas que ainda não funcionam, os lavradores Maria Francisca de Jesus, 49 anos, e Adeilson Soares de Sá, 40 anos, vivem há dois anos em uma pequena casa de tijolos aparentes e sem ligação com a rede de energia elétrica. À noite, o casal usa uma bateria automotiva para iluminar os dois cômodos da casa. Não possuem geladeira, nem televisão. A cena simboliza a contradição dos caríssimos equipamentos de geração de energia eólica ao lado de comunidades pobres com famílias que ainda vivem como no século 19. A contradição, contudo, não é tão somente simbólica: a energia que seria gerada pelas torres seguiria para o Sistema Interligado Nacional. A ligação da casa de Maria e Adeilson com o sistema interligado é responsabilidade da Coelba, concessionária de energia que atende a cidade. A empresa informou que deve atingir a universalização do abastecimento da zona rural de Casa Nova somente até 2021, conforme regulação da Aneel.