São Paulo - Setores exportadores se preocupam com as relações entre Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente recém-eleito na Argentina, Alberto Fernández.
Se Bolsonaro entrar em colisão com Fernández, pode perder oportunidade de negociar com um país que está fragilizado, porque, neste momento, a Argentina precisa muito mais do Brasil do que o contrário. Um sinal de apoio brasileiro poderia estimular o vizinho a se manter em uma agenda mais moderada.
Para um representante de um dos maiores setores exportadores, embora o argentino tenha provocado Bolsonaro ao fazer gesto de "Lula Livre" com as mãos, o presidente brasileiro poderia ter relevado, sem reagir no mesmo tom. Bolsonaro respondeu dizendo ser uma afronta à democracia brasileira.
Entidades de grandes setores exportadores ainda avaliam o resultado da eleição.A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) afirmou que não irá comentar o assunto.
A AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) alerta que se o Brasil criar dificuldades, pode perder um comprador importante. "Não podemos abrir mão da Argentina porque a China pode ficar muito feliz com qualquer prejuízo na relação", afirmou ele.
"O melhor é deixar a poeira assentar e não fazermos comentários contra a Argentina", disse Augusto de Castro.
Após o resultado da eleição, no domingo, Synésio Batista, presidente da Abrinq (Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos), disse ter recebido telefonema de seus colegas representantes da indústria argentina questionando sobre como continuariam os negócios. Batista afirmou ter assegurado que as relações com os vizinhos não mudam em nada.