08 de julho de 2026
Geral

Ação quer resgatar sorriso de Ithalo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

"Faz mais de 100 dias que, diariamente, meu filho chora". Em razão da dor incessante, da tristeza com a perda de movimentos do braço direito e da baixa autoestima com a forma brutal com que quase todos os dentes foram arrancados. O drama vivido pelo jovem Ithalo Bittencourt, 23 anos, é relatado pela mãe, Karina Adami Bittencourt, 41 anos, que está mobilizando forças e amigos em torno de uma rede solidária para tentar arrecadar fundos para o necessário tratamento do filho.

A mais recente iniciativa é o Solidarity Day, evento beneficente que irá reunir, em 9 de novembro, diversos cantores da cidade no Frade Café Bar, na região central de Bauru (leia mais abaixo).

Ithalo se envolveu em um acidente de moto em julho deste ano, ao retornar do trabalho, onde atuava como auxiliar de expedição. No caminho de volta para casa, foi colhido por um veículo e o motorista sequer parou para prestar socorro.

"Esta pessoa 'roletou' o Pare e acabou com todos os sonhos do meu filho", conta Karina. O rapaz sofreu várias fraturas no rosto, perdeu dentes e lesionou o plexo braquial, conjunto de nervos que conduz sinais da medula espinhal para os membros superiores. Com isso, Ithalo ficou sem os movimentos da mão, braço e ombro direitos.

"É uma lesão muito grave e ele está em uma situação difícil em relação às dores", comenta a mãe. Para tentar amenizar o sofrimento, o jovem é medicado com um anti-inflamatório com potente ação analgésica, a que a família não conseguiu ter acesso por meio do SUS.

CIRURGIA

Além de precisar arcar com o custo dos comprimidos, a mãe de Ithalo corre contra o tempo para arrecadar cerca de R$ 33 mil, valor estimado da cirurgia exploratória do plexo braquial a ser feita com um especialista na área, em Ribeirão Preto.

"Pelo SUS, a fila de espera para agendar consulta com um especialista é de oito meses. Não seria justo deixar o Ithalo sofrendo por tanto tempo. Ele mal consegue dormir. Por isso, esta rápida mobilização é tão importante", acrescenta Karina.

Ela explica que a cirurgia exploratória é a única forma possível de avaliação das condições dos nervos na região do ombro, já que, devido às várias fraturas que sofreu, o jovem precisou colocar placa de titânio no rosto, o que o impede, segundo os médicos, de ser submetido à ressonância magnética. "Ainda fizemos uma eletromiografia, mas não foi possível ter noção do grau da lesão e se há possibilidade de reversão", acrescenta.

Segundo Karina, na cirurgia, o médico terá melhores recursos para decidir qual o procedimento mais apropriado para recuperar, ao menos parcialmente, os movimentos do braço de Ithalo e já realizar, no mesmo dia, as intervenções necessárias.