10 de julho de 2026
Nacional

Vício alimentar em crianças está associado a comidas ultraprocessadas

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

A obesidade infantil é resultado de um conjunto de fatores, desde a falta de amamentação adequada nos primeiros meses de vida até hábitos alimentares pouco saudáveis. O problema também passa por questões socioeconômicas e sabe-se que as preferências alimentares são influenciadas pelo ambiente, preço, disponibilidade e acessibilidade.

Unindo parte dessas causas, uma pesquisa brasileira investigou a dependência alimentar em crianças com excesso de peso e de baixa renda em duas escolas públicas da Capital paulista. Com base na resposta a um questionário de frequência alimentar, composto por 88 itens, o estudo identificou que 95% das 139 crianças participantes, todas com sobrepeso ou obesidade, apresentaram pelo menos um sintoma de vício em comida. Do total, 24% foi diagnosticado com a condição, sendo que o consumo de açúcar e de alimentos ultraprocessados era maior nessa parcela.

"Ultraprocessados podem causar vício alimentar. Esses alimentos foram feitos para seduzir [a criança] e identificamos o principal alimento que causa esses sintomas, que é o biscoito. A criança começa o ano consumindo uma ou duas bolachas e no final está comendo o pacote inteiro", observa a doutora em nutrição Andrea Filgueiras, pesquisadora do departamento de Fisiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e uma das investigadoras do estudo.

A nutricionista Priscila Maximino, pesquisadora do Instituto Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil, pondera que nenhum alimento é perigoso e poderia desencadear compulsão alimentar, que é uma doença psiquiátrica. "Quando se fala em vício, imprimimos uma condição patológica, mas que não se trata com medicamento. O que ajuda é promover um ambiente alimentar e de estilo de vida diferentes", diz a especialista, membro da Sociedade Brasileira de Alimentação de Nutrição (Sban).

É preciso destacar que não existe uma relação de causa e consequência entre o consumo de ultraprocessados e o desenvolvimento de vício no alimento. Embora a comida contenha substâncias que vão mudar a química do cérebro, é mais importante focar e mudar a relação da criança com a comida. "Não ensinar a comer quando está feliz ou quando está triste, não usar o alimento como recompensa ou consolo e estimular a boa relação com a comida sem fazer associação com a imagem corporal", orienta Priscila.