08 de julho de 2026
Geral

Professora cria 'anjos de resgate'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

"Prometo, no exercício da minha profissão, enfrentar os desafios que a Educação me propõe, dentro e fora da escola". A professora Sebastiana de Fátima Gomes, de 55 anos, faz jus ao juramento do curso de Pedagogia. Ela, que leciona Geografia e História para estudantes do Ensino Fundamental de um colégio estadual, em Bauru, desenvolve o que chama de "anjos de resgate". O projeto consiste na aproximação dos alunos com maior e menor facilidade.

De acordo com a docente, que já chegou a ser ameaçada de morte por um estudante, em 2009, os jovens devem ter noção da sua condição social. "Para o proletariado, a ascensão ainda se dá através da educação, embora o nosso sistema seja perverso, afinal, existe grande fosso entre as escolas privadas e públicas".

Segundo Sebastiana, tal discrepância conduz discentes menos abastados a pensarem que estão fadados ao fracasso. "Eu uso o meu exemplo de vida para convencê-los a lutar. Sempre morei na periferia e sou filha de analfabetos. Superei todos os desafios com esforço", conta.

No entanto, a professora não defende a meritocracia. "Eu sei que, atualmente, a exclusão se manifesta de forma mais cruel do que outrora", justifica. Após expor o discurso aos alunos, a docente seleciona aqueles com maior facilidade para trabalharem como "anjos de resgate" junto aos que precisam de ajuda. "A missão dos escolhidos corresponde a auxiliar os colegas nos estudos. A medida surte resultados positivos, desde que tenha início nos ensinos Infantil e Fundamental", completa.

VÍTIMAS

Para Sebastiana, professores e alunos são vítimas do sistema educacional. "Os discentes despejam os problemas em cima dos docentes, que acabam desanimando de dar aula", observa.

A profissional avalia que os conflitos em âmbito escolar ocorrem devido à ausência da família, à desigualdade social e à banalização da violência. "Muitas vezes, nós deixamos de lecionar para dar amor, porque eles não têm em casa", frisa.

Ainda de acordo com ela, o alto índice de desemprego leva os pais ou responsáveis a priorizarem o sustento da família. "Muitos sequer sabem o motivo pelo qual os filhos frequentam uma unidade de ensino. Então, deixam de acompanhar o desempenho escolar", revela. Sebastiana também trabalha com alunos do Ensino Médio de uma escola privada, em Bauru. "Por lá, também há violência, mas em menor intensidade. Falta acompanhamento dos pais", conclui.