Comer sal em excesso pode comprometer a realização de tarefas simples. Esse é o resultado de um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Cornell, em parceria com a Universidade de Washington, nos EUA. A pesquisa foi publicada ontem na revista científica "Nature".
O experimento foi realizado com camundongos. Os animais foram submetidos a uma alimentação que tinha de oito a 16 vezes mais sal que o normal. Depois, os animais passaram por testes cognitivos para avaliar os efeitos do sal no cérebro.
Os pesquisadores descobriram que o excesso de sal reduz a quantidade de óxido nítrico nos camundongos. A ausência desta substância provocou o aumento de fósforo na proteína tau - que quando hiperfosforilada pode provocar problemas cognitivos, como demências.
"As proteínas tau existem normalmente em nossos cérebros. Elas têm um formato de tubo e são responsáveis pela ligação dos neurônios. O excesso de fósforo faz com que elas formem um emaranhado neurofibrilar que é tóxico ao cérebro", explica Roger Taussig, neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Os pesquisadores descobriram que os camundongos que estavam recebendo a dieta rica em sal apresentavam proteínas tau hiperfosforiladas em locais como o neocórtex e o hipocampo, responsáveis pelas funções executivas - como solucionar problemas - e pela memória, respectivamente.
A capacidade cognitiva dos ratos melhorou quando a produção de óxido nítrico foi reestabelecida. Os camundongos criados sem a capacidade de produzir proteína tau, ou aqueles que foram tratados com anticorpos anti-tau, não apresentaram comprometimento cognitivo.
"Os resultados identificam um caminho anteriormente desconhecido que liga hábitos alimentares e saúde cognitiva, o que indica que evitar dietas ricas em sal poderia manter a função cognitiva saudável", diz Costantino Iadecola,autor do estudo, da Universidade de Cornell.