La Paz - Apoiadores de Evo Morales protagonizaram nesta segunda-feira (11) uma reação violenta contra os opositores Carlos Mesa e Luís Fernando Camacho e contra o Congresso Nacional, na sequência da renúncia do agora ex-presidente, anunciada no domingo (10).
Centenas de moradores da cidade de El Alto desceram em direção a La Paz, correndo pelas vias tortuosas que ligam as duas em meio ao cenário andino, com o objetivo de chegar à sede do governo boliviano. Eram apoiadores de Evo, que gritavam: "Agora sim, guerra civil, agora sim, guerra civil".
REAÇÃO A OPOSITORES
Em El Alto, no meio da tarde, as barricadas e as fogueiras já estavam montadas e acesas novamente.
Já na zona sul da capital, onde estão os bairros de classe média alta, os moradores ergueram suas próprias barricadas, e a polícia tentava deter os manifestantes.
Pelo Twitter, depois de agradecer às "demonstrações espontâneas de apoio ao governo democrático que foi derrubado pelo golpe cívico-militar-policial", Evo Morales tentou passar uma mensagem mais pacífica.
"Peço a meu povo, com muito carinho e respeito, que cuide da paz e não caia na violência de grupos que buscam destruir o Estado de Direito. Faço um chamado urgente para que se resolva qualquer diferença com o diálogo", escreveu o ex-presidente.
O comandante da polícia boliviana, Yuri Calderón, nomeado pelo governo de Evo Morales, renunciou nesta segunda. No fim da tarde, a própria Assembleia também foi evacuada.
RENÚNCIA
A carta de renúncia de Evo chegou à Assembleia Nacional às 13h (14h em Brasília), segundo informou o deputado Wilson Santamaría.
Havia expectativa de que os parlamentares dessem sequência ao processo?de decidir quem será o novo presidente e definir os próximos passos para a sucessão. Por enquanto, o país segue acéfalo. A renúncia ocorreu após a OEA divulgar o resultado da auditoria que chegou à conclusão de que as eleições foram fraudadas. Luís Almagro, o chefe da autoria, sugeriu que Evo Morales convocasse novas eleições. Ele o fez no domingo, mas as Forças Armadas não aceitaram e sugeriram a renúncia que Morales anunciou ainda no domingo.
O governo do México, por meio de sua chancelaria, declarou que Evo Morales pediu asilo político no país do norte e que este foi aceito, segundo confirmou em comunicado o chanceler Marcelo Ebrard.