10 de julho de 2026
Nacional

Grupo dos Estados Unidos não vê elo entre navio e óleo

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Uma organização americana especializada em análises do mar via satélite afastou suspeitas sobre o navio-tanque Bouboulina. A embarcação da empresa grega Delta Tankers é investigada pela Polícia Federal e pela Marinha nas apurações sobre o derramamento de óleo no litoral brasileiro. Segundo a Skytruth, que reúne entre seus fundadores empresas e organizações como Google e Oceana, os dados sobre o percurso do navio não indicam comportamento atípico.

No dia 2, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em duas empresas no Rio que teriam relação com a empresa grega. A Delta Tankers negou envolvimento e se dispôs a colaborar com as investigações.

O presidente da Skytruth, John Amos, afirmou que, depois de analisar todas as informações divulgadas pelas instituições brasileiras e de confrontar os dados técnicos com as investigações feitas pela instituição, que está baseada em Novo México, nos Estados Unidos, concluiu que não há evidência efetiva de que o óleo teria sido derramado pelo Bouboulina.

A investigação da entidade mostra que a trilha percorrida pelo Bouboulina passou pela costa norte do Brasil, permanecendo principalmente em águas internacionais e chegando a menos de 150 milhas náuticas (278 km) da costa. O navio seguiu pelo Atlântico até chegar ao porto na Cidade do Cabo, na África do Sul. O percurso, segundo a Skytruth, foi feito de forma estável e sem alterações de velocidade ou direção que pudessem indicar comportamento suspeito ou um grande problema mecânico.

HIPÓTESES

Na semana passada, uma análise da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) também indicou que o vazamento de óleo não teria sido causado pelo petroleiro grego, mas por um navio fantasma, que costuma desligar o sistema de rastreamento por satélite.

Questionada, a Marinha sobre os apontamento da Skytruth e, até as 21 horas, não houve posicionamento. A empresa de Brasília que apoiou as investigações brasileiras e apontou o Bouboulina como a origem do derramamento, a Hex Tecnologia Geoespacial, também foi procurada, mas não se manifestou. Em nota, a Petrobrás informou que "não faz parte da investigação sobre a ocorrência que originou o vazamento de óleo". A empresa reiterou que o óleo encontrado nas praias "não é produzido nem comercializado pela companhia".