Imunização importante para a prevenção de tipos de câncer no futuro, a vacina contra o HPV (papiloma vírus humano) não atingiu nem 10% das crianças de 9 a 13 anos, neste ano, em Bauru. A cobertura vacinal preconizada em nível nacional é de 80%. Em números, significa que apenas 1,1 mil crianças das 12,6 mil que são público-alvo da campanha foram imunizadas em 2019. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, este é um dos piores índice entre todas as campanhas de vacinação do poder público.
Assim como as vacinas contra hepatite, meningite e tétano, a imunização contra HPV é disponibilizada o ano todo em todos os postos de saúde da cidade. As meninas devem tomar a partir dos 9 anos. E os meninos a partir dos 11 anos.
Diretor da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde, Ezequiel Santos ressalta a importância da imunização na infância, já que a eficácia é de até 90% se tomada antes do contato com o vírus, que é transmitido principalmente, mas não exclusivamente, por meio de relações sexuais. "Depois do contato com o vírus, a eficácia pode cair para 45%, tanto em homens quanto em mulheres", cita Ezequiel.
Estima-se que entre 65% e 70% das pessoas com atividade sexual irão, em algum momento de suas vidas, infectar-se com o HPV.
PRECONCEITO
Apenas no primeiro ano de campanha, em 2014, é que a imunização na cidade atingiu cobertura superior a 80%. "De lá para cá, só caiu. Os adolescentes não entendem a importância. A maioria é imediatista e só procura a vacina depois da doença", cita Ezequiel.
"E há muito preconceito dos pais também. Alguns não aceitam por motivos religiosos e outros por acreditar que a vacina seja uma espécie de apologia ao sexo, que acabaria estimulando seus filhos a praticarem sexo mais cedo", complementa o diretor da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde.
Ele alerta ainda para boatos sobre uma possível reação à vacina. "Houve repercussão de uma notícia, há alguns anos, de que a vacina teria causado paralisia, mas não procede e tudo foi esclarecido", esclarece Ezequiel.
A imunização contra HPV é disponibilizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos bairros o ano todo. São duas doses para a cobertura total, sendo que a última deve ser tomada com intervalo de seis meses da primeira.
IMPORTÂNCIA
Houve um tempo em que a prefeitura realizava campanha dentro das unidades escolares. "Mas é complicado. Não temos como ter uma equipe em cada escola, porque são muitas. E é algo que descobriria o atendimento na rede básica", observa Ezequiel Santos. A necessidade de autorização dos pais também era um complicador.
A DOENÇA
O HPV se manifesta nas genitais. Em uma pequena porcentagem dos pacientes que adquirem a infecção, há o aparecimento de lesões na pele e nas mucosas, espécies de verrugas (com aspecto parecido ao de uma couve-flor). O vírus também pode provocar infecção persistente. E existe o risco de desenvolvimento do câncer, principalmente no colo de útero, que, hoje, é a quarta causa de morte das mulheres por câncer no Brasil.
"Se, hoje, você contrai a doença e não trata, pode ter câncer, seja no colo do útero, na garganta ou outros órgãos daqui a 5 a 10 anos", finaliza Ezequiel Santos.