08 de julho de 2026
Política

Augusto quer prioridade ao anticrime

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

O deputado federal Capitão Augusto (PL) e outros membros da Comissão Especial que analisou o pacote anticrime vão se reunir nesta semana com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), pedindo a votação do projeto ainda neste ano.

O pacote foi encaminhado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, e Capitão Augusto é o presidente da Comissão Especial.

Ao JC, o parlamentar destaca, ainda, que mantém firme seu apoio ao presidente Jair Bolsonaro e que o partido pretende apoiar a reeleição do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) na próxima eleição municipal. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Jornal da Cidade: O governo federal encaminhou três PECs para o Senado, editou uma Medida Provisória (MP) relacionada ao emprego e tem outras propostas em tramitação. O que o senhor considera prioridade?

Capitão Augusto: As PECs que foram encaminhadas na semana passada foram primeiro para o Senado. Então, na Câmara, ainda não tomamos conhecimento, estamos sabendo mais pelo que vem sendo falado na imprensa. Mas, após passarem no Senado, vamos discutir essas propostas. Os deputados chamarão audiências públicas, o assunto será debatido com detalhes. Já a MP do emprego, acredito que não deve ter tanta dificuldade para aprovar, mas não dá tempo para este ano. Vai ficar para o ano que vem, pois precisa de um número alto de votos e é necessário ter toda a tramitação até ir ao plenário. Restam apenas quatro semanas para o fim das atividades deste ano. Então, vai ficar para a volta dos trabalhos da Câmara essa discussão.

JC: E o pacote anticrime, no qual o senhor foi o relator na Comissão Especial, já deve ser votado?

Capitão Augusto: O pacote anticrime eu considero que é a prioridade para este final de ano, tem condição de ser votado antes do recesso. Já passou pela Comissão Especial e vamos conversar com o presidente da Câmara para ver quando será colocado em pauta para votação no plenário. A nossa intenção é que seja votado até o mês que vem.

JC: O presidente Jair Bolsonaro anunciou que vai sair do PSL e fundar um novo partido, o Aliança pelo Brasil. Até que ponto isso vai afetar a base dele na Câmara?

Capitão Augusto: Para os projetos maiores, onde os deputados se declararam a favor das propostas do presidente, acredito que não vai alterar muito. Porém, em projetos menores, o governo pode sofrer algumas derrotas. Dos 54 deputados do PSL, 26 possivelmente irão para o novo partido do presidente. Então, isso acaba tendo algum impacto, principalmente em projetos menores, nos quais parte dos deputados pode tentar impor derrotas ao governo.

JC: O senhor pretende ir para o novo partido do presidente Bolsonaro?

Capitão Augusto: Não, eu continuo no PL. Fui eleito e reeleito pelo PL, tenho uma gratidão pelo partido e também compromisso com o Diretório Estadual. Temos o apoio de 80 diretórios municipais, então, não sairei. Mas, independente disso, continuo apoiando o presidente Bolsonaro. Nos próximos dias, devo ter um encontro com ele. Tenho bom relacionamento com o presidente e com vários ministros. Essa boa relação não muda.

JC: A criação do Partido Militar ainda está em discussão?

Capitão Augusto: Fizemos esse pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas o andamento está lento. Há uma dificuldade hoje em se criar novos partidos. Então, é possível ainda criar o Partido Militar, mas, por enquanto, está um pouco distante da realidade.

JC: Aqui em Bauru, o PL apoia o prefeito Gazzetta. Para as eleições, o partido vai lançar candidato ou continuará com o prefeito?

Capitão Augusto: A nossa posição é de manter o apoio ao prefeito Gazzetta. No dia 7 de dezembro, vamos ter uma convenção regional do PL em Bauru e a tendência é fechar em torno do apoio ao prefeito. Ele vem fazendo um bom governo, revisou leis e não há nenhum escândalo, casos de corrupção, é um governo correto. Se Bauru mudar de prefeito no ano que vem, serão pelo menos mais dez meses entre a saída do atual governo, em novembro, e o novo prefeito ter consolidado uma equipe, leva mais da metade do ano seguinte.

JC: Foi cogitada a possibilidade de o senhor concorrer a prefeito. Então, isso está descartado?

Capitão Augusto: Chegamos a conversar algo com o grupo do partido, de ter um candidato próprio, mas, como falei, o momento é de apoiar o prefeito Gazzetta e a tendência é que sigamos com ele na disputa.

JC: A possível ida do prefeito Gazzetta ao PSDB alteraria esse apoio?

Capitão Augusto: Isso não interfere.

JC: Para o ano que vem, já tem definição das emendas parlamentares que mandará para Bauru e região?

Capitão Augusto: Fui o deputado que mais mandou emendas para Bauru no mandato passado, quando eu nem estava morando aqui ainda. Nossa prioridade novamente é mandar verba das emendas para Bauru e região. Ainda não fechamos, porque isso é feito no começo do ano. Mais do que as emendas, o que estamos procurando é trazer recursos direto dos ministérios, pois o valor é bem maior.