Argumentos baseados no Livro "Em Guarda" - Willian Lane Craig.
Domingo passado lemos que na primeira metade do século anterior era comum entre os filósofos desdenhar de qualquer argumento acerca de Deus. Contudo com o entardecer do século 20 seguiu-se um grande número de pensadores das mais diversas áreas acadêmicas concordando com a estrutura teísta de existência cósmica. Portanto, o ateísmo, embora ainda seja dominante nas universidades ocidentais, é uma filosofia em retirada, afinal tem sido crescente o interesse pela teologia na busca da existência de Deus; logo, Deus não está morto, nem na academia e muito menos nas mentes, porque no cenário chamado universo, Deus é o que melhor explica a experiência da vida.
Deus é a melhor explicação para o ajuste fino do universo para a vida inteligente. Nas últimas décadas, os cientistas ficaram espantados com a descoberta de que nas condições iniciais do Big Bang houve um ajuste fino para a existência da vida inteligente com uma precisão e perfeição que literalmente desafiam a compreensão humana. A constante e inalterável lei gravitacional é uma delas, a outra é a chamada lei da baixa desordem no universo que propicia extraordinariamente a condição para a existência da vida. Se essas leis fossem alteradas em menos do que a largura de um fio de cabelo, o equilíbrio perfeito e necessário para a propiciação da vida seria destruído e a vida não existiria. O leitor pode optar por acreditar que esse ajuste fino e extremamente necessário seja obra do acaso ou de um projeto. Ora, o problema de ser resultado do acaso é que a chance disso acontecer é tão inimaginavelmente estreita e infinitésima que não tem como ser aceita razoavelmente. Logo, é bem mais plausível compreender o ajuste fino do universo devido a um projeto inteligente de um Arquiteto cósmico; assim como tudo nessa vida que é construído de forma espetacular e ordeira creditamos á uma organização inteligente de pensamento e ação.
Deus é a melhor explicação para estados intencionais de consciência. Filósofos ficam perplexos com estados da intencionalidade humana, i.e., a direção de nossos pensamentos para um fim. Por exemplo, diferente de todos os animais, posso pensar acerca de minhas férias ou posso pensar acerca da minha família. Nenhum objeto físico possui intencionalidade neste sentido. Uma cadeira, uma pedra, uma porção de tecido como o cérebro, nem mesmo um animal vivo não possui intencionalidade a cerca de outra coisa. Isso é incrível: "estou pensando nesse momento a esse respeito — e você também está". Assim, estados intencionais do cérebro humano se enquadram facilmente na cosmovisão teísta. Podemos, então, argumentar que se Deus não existisse, estados intencionais de consciência não existiriam, mas estados intencionais de consciência existem, logo, Deus existe.
Deus é a melhor explicação para valores e deveres morais objetivos. Em nossa experiência, apreendemos valores e deveres morais que nos impõem como objetivamente obrigatórios e verdadeiros. Por exemplo, reconhecemos que é errado entrar numa escola primária com uma arma de fogo e atirar em garotinhos e garotinhas. Do ponto de vista ateísta, contudo, não há nada errado nisso diante de valores morais que seriam apenas subprodutos subjetivos da evolução biológica e do condicionamento social, sem nenhuma validade objetiva. Em contrapartida, o teísta fundamenta valores morais objetivos em Deus e, nossos deveres morais nos mandamentos divinos naturalmente plantados na existência humana. Então, valores e deveres morais objetivos existem, mas, se Deus não existisse, valores e deveres morais objetivos não existiriam.
Terminaremos a série no próximo domingo, mas em tempo, a crença em Deus é para quem O busca. Deus não está morto. Deus vive e governa a sua criação. Essa é uma crença cientificamente apropriada além de fundamentada na experiência de fé do indivíduo. "Deus reina sobre toda a terra. Deus está assentado em seu santo trono" (Salmo 47.8).
IGREJA BATISTA DO ESTORIL
57 anos atuando Soli Deo Glória
CELEBRAÇÃO PÚBLICA: Domingo 19h