09 de julho de 2026
Política

Custeio consome 81% da venda da folha

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 2 min

A Prefeitura de Bauru vai usar 81% do valor da venda da folha de pagamento para despesas com custeio ou salvando as contas das secretarias neste final de ano. Dos R$ 55 milhões arrecadados com a venda, R$ 32,3 milhões ficaram com a prefeitura - o restante é do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Emdurb e Funprev. Na prefeitura, com o comprometimento de R$ 26,3 milhões para cobrir despesas, sobram R$ 6 milhões para investimento. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) vai priorizar asfalto e compra de caminhões de coleta de lixo, conforme o JC já noticiou.

Logo após a venda da folha, já estava definido que R$ 20 milhões entrariam para cobrir despesas assumidas no começo do ano, sendo R$ 10 milhões para o pagamento de licença-prêmio a servidores,e outros R$ 10 milhões para a Secretaria de Saúde, por conta do gasto com a epidemia de dengue enfrentada nos primeiros seis meses.

Ainda será preciso mais R$ 4,4 milhões para a compra de medicamentos e R$ 1,9 milhão para reforçar o caixa de diversas pastas. Com isso, R$ 26,3 milhões vão para despesas e ficam R$ 6 milhões livres para uso em investimentos.

PRIORIDADE

A compra de concreto e massa asfáltica, para a pavimentação e recape de ruas, e um aditivo a convênio do Estado para recape estão nessa relação, com R$ 2,1 milhão. A compra de dez caminhões novos para a coleta de lixo orgânico custará R$ 3,5 milhões.

A reforma do telhado do almoxarifado central da prefeitura e a contrapartida de uma verba da União para a construção da pista de skate do Núcleo Mary Dota completam os investimentos previstos na prefeitura.

DAE E EMDURB

O DAE, Emdurb e Funprev têm autonomia para definir suas ações, que alternam pagamento de dívidas e investimentos. No DAE, que é superavitário, todo o valor que entrará vai para investimentos em reservatórios e poços. Já a Emdurb pretende pagar fornecedores, enquanto a Funprev informa que usará o montante em pagamentos de benefícios previdenciários. No caso da fundação, esse valor pode ajudar a amenizar o impacto no cálculo atuarial, no final do ano, fazendo com que a prefeitura consiga pagar um pouco menos nos anos seguintes nas parcelas do acordo com a Funprev.

REAÇÃO NA CÂMARA

O prefeito Clodoaldo Gazzetta mandou as informações sobre a provável destinação dos recursos da venda da folha a vários vereadores. Antes, Coronel Meira (PSB) já havia solicitado o detalhamento pelo Artigo 18 da Lei Orgânica, recebendo no final da última semana. Ele criticou algumas decisões do prefeito e ainda voltou a questionar o pedido de financiamento de R$ 46,6 milhões, projeto em tramitação pela Comissão de Justiça da Câmara. "Esse valor que sobra para investimento poderia diminuir o que está sendo pedido no empréstimo, na verdade não precisa de financiamento algum", frisou.