08 de julho de 2026
Internacional

Governo interino da Bolívia processa Evo

FolhaPress
| Tempo de leitura: 1 min

La Paz  - O governo interino da Bolívia apresentou uma queixa criminal nesta sexta-feira (22) contra o ex-presidente Evo Morales por sedição - incitar pessoas a se rebelarem contra a autoridade do Estado - e terrorismo.

O ministro do Interior, Arturo Murillo, pediu ao Ministério Público que inicie uma investigação sobre o ex-presidente exilado no México com base em um áudio supostamente gravado por ele.

Na gravação, um homem instrui um líder cocaleiro a fechar os acessos às cidades e interromper o abastecimento de alimentos -o objetivo seria desestabilizar o atual governo, de sua opositora Jeanine Añez. "Que não entre comida nas cidades, vamos bloquear, cerco de verdade", diz um trecho da gravação. 

Para o ministro, o áudio configura um "crime de lesa-humanidade".

O procurador-geral, Juan Lanchipa, disse que pedirá ao Ministério das Relações Exteriores que "informe as autoridades mexicanas do início da investigação" contra Evo, que em princípio seria investigado sem jurisdição especial, na condição de ex-presidente. Se ele for considerado culpado, pode receber sentença de 30 anos de prisão.

Gabriela Montano, a ex-ministra da Saúde durante o governo Evo, afirmou que a gravação é falsa. A autenticidade do áudio não foi confirmada até o momento.

EVO SE PRONUNCIA

Em uma rede social, o ex-mandatário afirmou que as autoridades deveriam investigar a morte de manifestantes em vez de ir atrás dele com base no que descreveu como evidência falsa.

Desde sua renúncia, no dia 10 de novembro, ao menos 32 foram mortos em violentos protestos detonados pela conturbada eleição presidencial do final de outubro.

O pleito deu vitória a Evo, mas foi tido como fraudulento pela oposição. A OEA (Organização dos Estados Americanos) recomendou que novas eleições sejam realizadas.

Em seguida, Evo, seu vice e os presidentes da Câmara e do Senado renunciaram. A senadora opositora Jeanine Añez se declarou presidente e assumiu o cargo, mas não houve votação no Congresso que a referendasse.