07 de julho de 2026
Ser

Depressão resistente


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Considerada o mal do século 21, a depressão atinge cerca de 4,4% da população do planeta e é a principal causa de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em uma década, entre 2005 e 2015, o número de pessoas com o transtorno subiu 18,4% no mundo todo, segundo o último relatório da OMS sobre o tema. No Brasil, 5,8% dos habitantes sofrem com a doença, a maior taxa do continente latino-americano.

Apesar de existirem várias terapias com medicamentos e tratamentos psicológicos eficazes para o distúrbio, em uma parcela dos portadores (de 10% a 30%) elas fazem pouco ou nenhum efeito. Essas pessoas têm a chamada depressão resistente, também conhecida como refratária ou não responsiva.

"É quando o paciente, após tratamento com duas classes diferentes de antidepressivos, por mais de seis semanas e em doses terapêuticas, não apresenta melhora", explica o psiquiatra Wagner Gattaz, coordenador do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o médico, as causas ainda não são totalmente conhecidas - assim como as da própria depressão. Uma das explicações é a grande variabilidade individual no destino do medicamento depois que ele é tomado.

"Essa variabilidade começa no estômago e no intestino, determinando o quanto do medicamento será absorvido e irá para a corrente sanguínea. Alguns indivíduos absorvem mais, o que lhes garante um resultado melhor, e outros menos", comenta.

Também há diferenças individuais quando a droga chega ao cérebro. "O alvo dos antidepressivos são as conexões nervosas, nas quais predominam diferentes substâncias neurotransmissoras, como serotonina, noradrenalina e dopamina. Tanto a produção desses neurotransmissores quanto a sensibilidade dos receptores variam de pessoa para pessoa".