08 de julho de 2026
Nacional

Home office é tendência

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

O home office tem se tornado realidade cada vez mais presente em empresas do País, visto com bons olhos por funcionários, por conta da flexibilidade, e por empresas, por conta da economia de custos. No entanto, a flexibilidade que leva ao engajamento dos colaboradores é a mesma que pode fazer com que os profissionais trabalhem além da conta quando estão em casa. É preciso disciplina.

Segundo levantamento realizado entre julho e agosto deste ano pela empresa de recrutamento Robert Half, 43% dos entrevistados dizem ter hoje a opção de trabalhar remotamente e 81% afirmam que trocariam o emprego atual por outro com as mesmas condições se houvesse a possibilidade de home office.

Apesar de alguns gestores apresentarem resistência à ideia - 18% têm receio da perda de produtividade e 14% sofrem com insegurança jurídica -, as vantagens para a empresa parecem ser claras. Além de representar economia com transporte, energia elétrica, manutenção de estações de trabalho e vale-refeição, por exemplo, 34% dos colaboradores que trabalham à distância dizem que a produtividade é maior.

"Não se renda à solução cama, pijama e laptop. Isso destrói todo o propósito da flexibilidade", aconselha Patricia Faria, 35 anos, coordenadora de comunicação interna em uma empresa de consultoria e auditoria de transações corporativas. Ela tem direito a um dia por semana de home office e se adaptou ao sistema. "Procuro planejar meu dia de trabalho como se estivesse no escritório e faço uma lista do que pode ser feito para usufruir da mobilidade", conta.

De acordo com Maiti Junqueira, gerente de Desenvolvimento de Talentos da América Latina da Consultoria LHH, profissionais em cargos que exigem mais concentração podem se dar bem com o home office. Essa também foi a constatação de pesquisa feita em 19 países pela ADP, provedora global em soluções de gestão do capital humano e folha de pagamento. O estudo apontou que os colaboradores que trabalham remotamente são mais engajados do que os que ficam no escritório: são 29% dos trabalhadores "virtuais" de um mesmo time totalmente engajados, ante 18% dos que permanecem na sede da empresa.

Por outro lado, o engajamento pode significar uma doação maior do funcionário ao trabalho, extrapolando horas de serviço. Segundo a pesquisa da Robert Half, 34% dos funcionários disseram que o maior problema do home office é que se trabalha mais do que se estivesse na própria empresa.

"Por mais que, hoje em dia, extrapolar as horas trabalhadas seja uma questão organizacional comum, determinar um horário de início e fim para o home office é importante, assim como paradas no meio do dia", alerta Maiti.

Criar um ambiente propício também é fundamental: mesa e cadeira adequadas, além de um espaço mais reservado e silencioso da residência para possíveis vídeo-conferências. "É uma mudança de mindset que exige postura profissional", observa a consultora.

A organização da rotina também deve ajudar a evitar as distrações de casa - 61% dos entrevistados pela Robert Half disseram que apenas "às vezes" sentem que são mais produtivos trabalhando remotamente.