10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Bom momento para quitar dívidas

Isabela Bolzani
| Tempo de leitura: 2 min

Às vésperas da época mais movimentada do orçamento familiar, consumidores com contas atrasadas podem renegociar dívidas e limpar o nome ante os birôs de crédito. Também é possível renegociar prazos maiores para quitar os pagamentos.

O dinheiro extra - a maioria recebeu a primeira parcela no último dia 30 -, segundo economistas, deve ser usado para colocar as contas em dia. Marcela Kawauti, economista, diz que o primeiro passo para fechar negócio é o consumidor saber qual dívida tem e quanto pode pagar. "Ele precisa entender sua própria situação financeira", afirma a economista.

Estudo do SPC Brasil de julho mostrou que 31% dos inadimplentes culpavam o desemprego pelo endividamento. Outros 20% disseram ter comprado sem checar o orçamento, 18% culparam a renda baixa e 12% disseram ter emprestado nome ou dinheiro para alguém.

"Desemprego e renda estão ligados à economia do País, mas a falta de controle orçamentária é algo preocupante. Isso nos faz imaginar que mesmo que haja uma recuperação econômica, a inadimplência pode continuar sendo um problema", diz Kawauti. O total de inadimplentes no País ultrapassa os 12 milhões.

Para o economista da Boa Vista, Flávio Calife, o primeiro ponto que o consumidor precisa atentar é que a renegociação de dívidas não exige intermediários. Segundo ele, o contato direto com o credor é mais fácil e, o mais importante, gratuito - intermediadores, normalmente, cobram um valor sobre o serviço prestado.

Outro ponto é ter o orçamento na ponta do lápis, para que os parâmetros da capacidade de pagar a dívida estejam visíveis e detalhados. "Uma renegociação malfeita normalmente leva o consumidor a ficar inadimplente de novo. Nossos números históricos apontam que 50% dos consumidores que deviam algum valor e conseguiram acertar as contas, voltaram a ficar inadimplentes em menos de um ano. Alguns, inclusive, em menos de três meses", pondera o economista.

Calife destaca, ainda, a importância de ter cuidado ao usar o dinheiro do 13º salário. "Se há dívidas em atraso, esse recurso têm o acerto de contas como destino. Muita gente considera o 13º como renda extra, mas é preciso ser consciente para que isso não atrapalhe ainda mais o orçamento", afirma.

Os especialistas defendem, ainda, a importância da implementação do cadastro positivo no sistema financeiro.

"Vemos um maior entendimento e interesse pelo assunto, mas há um bom trabalho de educação financeira que ainda vai levar de um a dois anos. As pessoas estão mais abertas, mas estamos em um processo inicial", diz Contini.