10 de julho de 2026
Turismo

Bahia tenta afastar manchas da alta temporada

João Pedro Pitombo
| Tempo de leitura: 2 min

JANELA

 Empresários e entidades do setor turístico afirmam que não houve queda na ocupação dos hotéis nem cancelamentos de reservas em massa 

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Era o último dia de um período de férias em Itacimirim, vila do litoral norte da Bahia, a 65 quilômetros de Salvador. Mas, na praia da Espera, conhecida por formar piscinas naturais na maré baixa, as irmãs Leidiane e Loriane Azevedo deixaram de lado a cadeira e o guarda-sol. Ajoelhadas na areia e usando luvas de plástico, as duas turistas do Paraná ajudavam a recolher manchas de óleo que se espalhavam pela areia.

Mesmo com as notícias sobre a chegada do óleo ao litoral baiano, as irmãs mantiveram a programação da viagem à Bahia. Assim tem sido nas praias dos principais destinos turísticos do estado. Empresários e entidades do setor turístico afirmam que não houve queda na ocupação dos hotéis nem cancelamentos de reservas em massa após o registro, há três semanas, da presença de petróleo cru em praias do estado.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis na Bahia, Glicério Lemos, a ocupação hoteleira no último mês se manteve no mesmo patamar do registrado no mesmo período do ano passado.

Terceiro principal destino turístico da Bahia, Morro de São Paulo foi atingido pelo óleo. Com cerca de 10 mil habitantes, a vila do município de Cairu, que fica a 176 quilômetros de Salvador, costuma receber até 400 mil visitantes na alta temporada. "Felizmente, tivemos uma mobilização grande da prefeitura e de grupos voluntários para recolher este óleo", disse Lemos.

Em geral, prefeituras e governo do estado atuam para mostrar praias limpas e um clima de normalidade entre os seus frequentadores.

A prefeitura de Salvador, por exemplo, divulgou em suas redes sociais um vídeo com imagens de praias cheias de banhistas no fim de semana e um slogan que remete ao trabalho que está sendo feito: "Se chegar, a gente limpa".

Na mesma linha, o presidente do Conselho Baiano de Turismo, Roberto Durán, diz que a chegada do óleo deve ser encarada como uma fatalidade e que o número de praias atingidas "é irrisório" frente à dimensão do litoral baiano. Ele destaca que as comunidades estão organizadas e que o momento é de buscar soluções para minimizar o impacto no meio ambiente.

Há também quem aponte outras possibilidades de passeio caso parte do litoral baiano permaneça manchado. "A Bahia é privilegiada. Vamos lançar uma campanha mostrando essa diversidade", afirma o secretário estadual de Turismo, Fausto Franco, e citando destinos como a Chapada Diamantina e o Vale do São Francisco.