08 de julho de 2026
Internacional

Macri despede-se de apoiadores

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - Três dias antes de Alberto Fernández assumir a Presidência argentina, o atual ocupante da Casa Rosada, Mauricio Macri, despede-se de seus apoiadores neste sábado (7), na Praça de Maio. Em clima de terapia, Macri passou a última semana relembrando momentos de sua gestão em postagens na internet e em um pronunciamento em cadeia nacional na TV.

Publicou nas redes sociais pequenos vídeos nos quais reviveu passagens de sua gestão e, num comunicado à nação, na quinta-feira (5), se disse frustrado com o desempenho econômico do país. Justificou, porém, seu fracasso com fatores alheios às suas medidas: a forte seca que em 2017 e 2018 comprometeu a colheita de soja e os efeitos do clima de guerra econômica no panorama internacional.

Também disse que a Argentina é hoje "um país mais tolerante", onde há menos divisões na sociedade e as instituições e estatísticas são mais confiáveis. Assim, Macri tenta deixar o poder com pose de democrata, que aceita a derrota nas urnas e que quer liderar uma "oposição construtiva" - esse é seu discurso desde 27 de outubro, quando perdeu em primeiro turno.

Mas o primeiro presidente não peronista a finalizar seu mandato não deixa o país em boas condições. Desde o primeiro dia de governo, disse ter recebido uma "herança maldita", referindo-se ao estado da economia durante o mandato de Cristina Kirchner (2007-2015) e entrega um legado negativo na área, o que se transformou na maior preocupação do futuro governo.

Macri tampouco teve estabilidade política na economia. Após três titulares da Fazenda - Alfonso Prat-Gay, Nicolás Dujovne e Hernán Lacunza -, dividiu o ministério em subpastas porque preferia o "trabalho em equipe em vez de superministros".

Entre os legados positivos, ao menos segundo pesquisa do instituto Berensztein, estão os investimentos em infraestrutura (aprovados por 49%), o combate ao narcotráfico (47%) e o esforço para valorizar o funcionamento das instituições do país (43%).

É fato que a Justiça melhorou, embora siga lenta e sujeita a pressões políticas. Mas colocou-se em prática, por exemplo, a Lei do Arrependido, parecida com o mecanismo da delação premiada no Brasil. Investigações de casos de corrupção avançaram.