09 de julho de 2026
Articulistas

Pegadinha do Rei

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

"2019 não vai ter". "Ele desistiu". "Estamos livres!". "Vai fazer falta". "Ninguém aguentava mais". "Não tem Natal sem ele". Muita gente caiu na "pegadinha do Rei". Pois não só haverá o especial de Roberto Carlos, dia 20, como o cantor também está nos cinemas com seu show em Jerusalém. Ame-o ou suporte-o.

O fato é que Roberto é o mito mais humano do Brasil. Já há anos habitando o olimpo dos deuses populares inatingíveis, tem, na vida bem real, problemas como qualquer um: perdas atrás de perdas, trauma de infância não equacionado e manias nem todas domadas.

Não sei como, até hoje, não criaram a expressão "hoje eu tô meio Roberto Carlos". Está criada, então. Quando você fica meio brega, mas só meio, um tanto quanto companheiro e afetivo: está "meio Roberto Carlos". Roberto também é, de certa maneira, nosso próprio amadurecimento. Quando criança, em relação a ele, não damos a mínima. Na adolescência é apenas um som que vem e vai, que surge no AM da madrugada e não desperta interesse. Na juventude do rock, renegamos: ainda mais quando toca sem parar na vitrola da tia. Mas é aí que brota a curiosidade.

Com ressalvas, e já na vida adulta, eis que nos rendemos. Esse cara sabe interpretar a alma nacional. Às vezes tem açúcar demais, mas se sal faz mal... Que grande mal há em se deixar adoçar por Roberto?

Ele barra biografias não autorizadas, o que é uma sacanagem. Ele defende o amor e a amizade, o que é uma enormidade. Por ser o ídolo mais humano é, causa e efeito, cheio de nuances em defeitos e contradições. Dono de irritantes virtudes e talentos adoráveis.

Talvez Roberto seja mesmo nosso maior amigo de fé, irmão camarada, o sentimental resumo da nossa jornada.