10 de julho de 2026
Política

Sergio Cabral fecha delação premiada com a Polícia Federal

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio de Janeiro - O ex-governador Sérgio Cabral fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. O procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestou contra a homologação do contrato, que será analisado pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal).

A delação de Cabral, cuja negociação começou no início deste ano, inclui ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça), outros magistrados e políticos.

O acordo foi revelado pelo jornal O Globo e confirmado pela reportagem. A defesa de Cabral afirmou que não vai se manifestar sobre o tema.

O ex-governador recorreu à PF após ter acordo rejeitado no Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, responsável pelas investigações contra ele. Aras endossou o veto no STF.

CONTRARIO

"Somos contrários a uma colaboração premiada do ex-governador Sérgio Cabral. Ele é o líder de uma organização criminosa muito poderosa. É um dos responsáveis pela falência do estado. Nós conseguimos por meios independentes chegar a muito do que ele poderia nos ajudar numa colaboração. Não seria uma resposta que o MPF gostaria de dar à sociedade", disse o procurador Eduardo El Hage ao jornal Folha de S.Paulo em novembro.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) em Brasília também se manifestou contra a validação do acordo, que foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver autoridades com foro privilegiado. Ou seja, ele estaria incriminando pessoas ligadas ao judiciário (e também políticos) que não podem ser condenados, de acordo com a legislação brasileira.

PENA EXTENSA

Preso há três anos, o ex-governador adotou nova postura no início do ano ao confessar os crimes que lhe são atribuídos. O objetivo inicial era reduzir as penas, que já somam quase 268 anos --decorrentes das 12 condenações nas 31 ações penais vinculadas à Lava Jato a que responde. Mas também sinalizar o poder das informações que dizia ter.

VALORES

O acerto do ex-governador do Rio de Janeiro, com a Polícia Federal é milionário. Pela colaboração premiada com a Polícia Federal em que se compromete a devolver aos cofres públicos R$ 380 milhões recebidos na forma de propina. Não se sabe o quanto o acordo, se mantido, irá reduzir suas penas.