09 de julho de 2026
Nacional

Metade dos professores relata ter sofrido violência na escola pública

Estadão Conteúdo
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São Paulo - Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 18, pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) mostra que mais da metade (54%) dos professores da rede estadual disse já ter sofrido algum tipo de violência nas escolas. A porcentagem vem crescendo: em 2014, era de 44%, passando para 51% em 2017. Entre os alunos, a proporção é de 37%. Em nota, a Secretaria Estadual da Educação disse que a pesquisa tem "viés político" e criticou a limitação da amostragem de entrevistados.

A análise foi conduzida a partir de entrevistas com estudantes e professores na área de 14 regionais do Estado, com uma amostra de 1,7 mil pessoas em contatos pessoais e telefônicos realizados entre os dias 5 de setembro e 1º de outubro deste ano. O objetivo, diz a Apeoesp, é "monitorar a percepção da população e da comunidade escolar sobre qualidade da educação, segurança nas escolas e outros temas relevantes para a educação pública".

Levando em consideração aqueles que souberam de casos de violência nas escolas estaduais no último ano, a proporção total aumenta. Entre os estudantes, 81% relataram ter tomado conhecimento de algum caso, porcentagem que é de 90% entre os professores. Esses números até seis pontos percentuais maiores se comparados com as respostas para a mesma pergunta feita nas pesquisas de 2014 e 2017.

Os casos de violência mais citados são diferentes entre professores e alunos: para os docentes, a maioria dos casos diz respeito à agressão verbal - já os alunos citam o bullying. 62% dos estudantes e 70% dos professores relataram casos de bullying em suas escolas. Em relação à discriminação, 35% dos estudantes e 54% dos professores souberam de casos em suas escolas.

A discriminação e o bullying podem vir dos próprios colegas ou até dos professores, mostram os dados. Na pesquisa, 38% dos alunos disseram que já sofreram por esses motivos ao expor alguma opinião ou ideia. A proporção é de 34% entre os professores. "Apesar de desejarem um espaço escolar livre para a reflexão e o debate de ideias, cerca de 1/3 dos estudantes e professores já sentiram constrangidos ao expor alguma ideia", detalha a pesquisa.