09 de julho de 2026
Política

Cohab deve ser liquidada em 18 meses

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 2 min

O novo presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Arildo Lima Jr., tomou posse nesta quinta-feira (19) e terá como prioridade a liquidação e encerramento da Cohab em um prazo de até 18 meses. No começo do ano que vem, um projeto de lei deve ser encaminhado para a Câmara Municipal, pedindo autorização para o fechamento da companhia. A proposta chegará para os vereadores após o recesso parlamentar, em fevereiro.

O prefeito Clodoaldo Gazzetta pretende dar fim à Cohab após a operação 'João de Barro', do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apreendeu 1,6 milhão em notas de real e mais 30 mil em notas de dólar norte-americano e ainda valores menores em notas de euro e libras esterlinas, na casa do então presidente Edison Bastos Gasparini Jr. A antecipação de pagamentos para construtoras, antes da formalização de acordos na Justiça, é também investigada. Além de Gasparini Jr., pediram afastamento Paulo Sérgio Gobbi, que era diretor financeiro, e Milton Gimael, gerente jurídico. Nas vagas deles, assumem Marcos Garcia como diretor jurídico e Andrea Salcedo como gerente jurídica. O Conselho de Administração da Cohab já aprovou por unanimidade as alterações.

ETAPAS

Para o encerramento da Cohab, são previstas quatro etapas. A primeira é a assinatura do acordo com a Caixa para o pagamento de uma dívida de R$ 430 milhões com o FGTS - o acordo deve ser assinado na segunda-feira (23), com a prefeitura tendo de pagar R$ 1,8 milhão por mês e a Cohab R$ 500 mil. O prazo de pagamento é de 20 anos.

Depois, a companhia começará um processo de demissão voluntária para reduzir o número de funcionários, cerca de 65 atualmente. Se houver pouca adesão, a Cohab terá que demitir mais funcionários para ficar com o tamanho adequado ao período de liquidação. Uma terceira ação planejada é a transferência da carteira de mutuários para um banco, que administraria o recebimento do dinheiro e repassando para a prefeitura o valor dos sete mil contratos vigentes.

Por fim, o prefeito afirmou que todos os prazos deverão ser cumpridos para fechar a Cohab até o começo de 2021. "Vamos trabalhar para que o encerramento aconteça ainda neste mandato, e caso isso não seja possível, que seja no ano seguinte, mas com tudo já encaminhado para fechar", afirma. A venda de imóveis da Cohab para o abatimento de dívidas pode ocorrer no ano que vem.

Sobre as demissões de funcionários, tanto Gazzetta como Lima Jr. destacam que a medida é ruim no aspecto em que vai gerar desemprego, mas a companhia não teria outra alternativa. "Mandar embora nunca é algo que gostaríamos de fazer, mas a Cohab vai entrar em processo de encerramento, portanto vamos ter que diminuir o número de pessoas que trabalham na Cohab", lembra o novo presidente.