09 de julho de 2026
Geral

UPAs e PS Central ganham câmeras após sumiço constante de remédios

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Câmeras de segurança foram instaladas nas salas onde são estocados medicamentos nas unidades de pronto atendimento (UPAs) e no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru. A medida foi adotada em razão do sumiço constante de psicotrópicos e analgésicos potentes dos armários.

Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento (Duupa) da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, o médico Rafael Arruda, somente no segundo semestre do ano passado, foi constatado o desaparecimento de ao menos 54 frascos e caixas de remédios deste tipo. As câmeras foram instaladas nas quatro UPAs (Bela Vista, Geisel/Redentor, Ipiranga e Mary Dota) e no PSC há cerca de quatro meses.

De acordo com Arruda, a medida foi adotada em caráter preventivo. Ele conta que a preocupação quanto ao abuso de psicotrópicos aumentou no início do ano, quando um profissional de saúde que trabalhava em uma das unidades de Bauru sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu, com suspeita de overdose de medicamentos.

"Além de conversas e orientação, decidimos, por segurança, instalar as câmeras, que ficam direcionadas para a parte dos armários onde ficam estes medicamentos específicos. Assim, temos controle de quem retirou qualquer item do local", detalha.

SEDAÇÃO

O médico explica que, infelizmente, o uso abusivo de psicotrópicos é recorrente entre os profissionais de saúde. Entre os medicamentos mais comumente extraviados das unidades de urgência e emergência municipal, estão diazepam, dolantina, midazolam e fentanil, utilizados para controle de dores intensas e sedação, inclusive em casos de necessidade de indução do coma.

"São substâncias que trazem sensação de bem estar e prazer. Ou seja, os medicamentos estavam sendo retirados das unidades não para tratar uma possível doença, mas para serem usados como uma droga tal como álcool ou cocaína. Precisávamos ter a responsabilidade de adotar uma medida mais austera, porque o usuário dessas substâncias não tem dimensão do quanto elas são nocivas para a saúde dele", analisa.

Desde a instalação das câmeras, conforme relata Arruda, o volume de extravios caiu drasticamente, em cerca de 90%. Os casos que continuam ocorrendo, ainda de acordo com ele, por eventual esquecimento do profissional de anotar a retirada do medicamento para uso dentro da unidade.

Outra possibilidade cogitada é o funcionário retirar o remédio do armário em duplicidade, um para uso imediato do paciente e outro para uso próprio. Até o momento, nenhum servidor foi flagrado por esta irregularidade.