Você sabia que o comércio adora muito mais o Dia das Mães do que o Dia dos Pais? Lógico, no Dia das Mães vendem bem mais, só perdendo para o natal. Incrível, né! Quando soube disso, imaginei que acontecia devido ao fato de que geralmente o pai é mais "direto e firme" com os filhos e a mãe mais "jeitosa e flexível", mas outro dia vi um vídeo que me fez pensar em outras possibilidades. O vídeo mostrava um galo e uma galinha, ambos comendo numa mesma tigela seu alimento (parecia grãos de milho), com o galo se alimentando preocupado apenas com si próprio, enquanto a galinha comia um pouco, e outro tanto distribuía aos pintinhos que estavam ao seu redor esperando.
Levei um susto, não me contendo de surpresa. Pensei: será que nós, homens, somos também assim naturalmente em relação aos filhos!?
Comentei o vídeo com minha esposa e ela me disse que algo semelhante já tinha acontecido entre nós, quando levei sozinho nossos três filhos a um lugar, ficando lá um bom tempo sem me preocupar com a alimentação deles. Minha esposa percebeu isto quando voltamos pra casa, com meus filhos reclamando com ela que estavam morrendo de fome. Acabei até aceitando que muitos pais não percebem algumas atitudes que tomam por falta de hábito, e, eu mesmo acabei achando graça depois de como as coisas podem acontecer. Lógico, para os casais mais antigos onde era comum o pai trabalhar fora e a mãe ficar em casa, na memória dos filhos só aparece a imagem da presença da mãe cuidando deles, e a do pai ausente. Até uma certa idade dos filhos, esta imagem é difícil reverter, mesmo tentando convencê-los que o papai estava trabalhando fora para ganhar um dinheiro pra comidinha deles. Não vão entender, e talvez o pai até corra o risco de ouvir: "mas é a mamãe que faz a comida pra nós". Não dá! Mais tarde, quando crescerem, talvez quem sabe!
Juntando os fatos, depois comecei achar que era um pouco injusto com alguns pais que trabalhavam muito fora de casa, pela tradição que antes existia e herdada dos antepassados. Nos primórdios dos tempos, tudo indica que tentando conciliar a natureza da mulher, que tem a possibilidade de engravidar e amamentar, era mais conveniente ela ficar em casa cuidando dos filhos, e o homem mais ágil e forte sair para caçar, pescar e colher. Algo semelhante aconteceu também comigo numa fase da vida em que viajei bastante, dando aulas em várias cidades, quando meus filhos eram pequenos e a gente se via praticamente nos finais de semana.
Como trabalhava muito fora, não criei o hábito de ficar atento às necessidades deles, deixando esta função a minha mulher. Hoje os tempos são outros e dizem que a grande vantagem do ser humano é o poder de adaptação às mudanças que ocorrem. Parece que agora as mulheres têm várias razões para trabalhar fora, mas, mesmo assim "não abriram mão do monopólio que conquistaram de engravidar e amamentar" e, por isso mesmo, acredito que seus companheiros têm procurado se adaptar e compartilhado mais dos trabalhos caseiros. Ainda bem! Novos tempos, novas adaptações, novas imagens!