08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tempo de Natal

Cinthya Nunes - jornalista, advogada, professora universitária e tem pena da fatura do cartão de crédito do Papai Noel e seus ajudantes no mês de dezembro - cinthyanvs@gmail.com
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Ainda não é o texto de retrospectiva, até porque para fazer o balanço de 2019 eu preciso preparar meu coração e escolher bem as palavras que irei empregar. Mas é certo que não me furtarei dessa tarefa na próxima semana. Agora estamos próximos do Natal e as pessoas criam certas expectativas sobre textos natalinos. No meu caso, inclusive, já escrevi algo sobre o assunto na semana que se passou.

Gosto do Natal e das reflexões que provoca em algumas pessoas, mas o Natal é uma data que mora mais na minha infância. É lá que residem minhas melhores lembranças, aquelas que evocam a figura do Papai Noel, das luzes enfeitando as casas e as ruas, da árvore no meio da sala, cheia de bolinhas coloridas e, é claro, dos presentes que ficavam nos provocando com suas promessas de brincadeiras e diversão.

Nos meus Natais antigos também havia muita gente que hoje não está mais por aqui. Recordo-me da casa dos meus avós e das delícias que eram feitas especialmente para essa época. Não tínhamos luxo, mas fartura. Para as crianças tudo era festa, tudo era esperança. Os meus Natais presentes são diferentes, mas especiais ao seu modo. As crianças agora são meus sobrinhos e embora ser uma das patrocinadoras do Papai Noel não proporcione a mesma emoção de ser um dos seus beneficiários, ainda aprecio o chamado espírito natalino.

Por respeito a todas as religiões prefiro não adentrar ao aspecto religioso do Natal, mas sim ao seu simbolismo. Aliás, perdoem-me os mais radicais, mas há muito tempo o Natal virou mais uma data comercial do que qualquer outra coisa. Ademais, não vejo com bons olhos a ideia de que o bem tem período certo para acontecer. Como se apenas o Natal fosse o tempo de se fazer algo pelo próximo.

Tem gente que frequenta a Igreja, o Centro Espírita, o Templo, o Terreiro ou seja lá onde se professe sua fé, mas passa o ano todo sendo indiferente com a dor do próximo. Aí, em datas como o Natal pensam que dar presentinhos, caixinhas ou pequenas doações seja a remissão do pecado da indiferença.

O espírito de Natal, da forma como sinto, é aquele que nos motiva a dedicarmos um tempo maior para pensarmos no outro, para reforçarmos aquilo de bom que fizemos durante todo o ano. É tempo de nascer, porque nascemos de novo todos os dias quando abrimos nossos olhos depois do repousar do corpo. Acordar nossas almas, caso tenham ficado adormecidas indevidamente. É fazer mais, é prosseguir sendo bom e multiplicando o bem.

Lembro-me, assim, daquela história sobre o espírito dos Natais do passado, do presente e do futuro e penso que vivi Natais incríveis, cheios de amor e paz, protegida do mundo, na inocência de ser criança. No presente, busco entender melhor o que significa ajudar ao próximo e cada vez mais sou convicta de que há tantas formas de fazer isso, de modo constante. Para os Natais futuros só espero encontrar por lá aqueles a quem amo e, olhando para trás, pensar que tudo, no fim das contas, valeu a pena.

Desejo a todos um Natal de paz, seja qual for a crença que justifique seus dias. Que nascer para o bem seja um hábito e uma intenção constante. Feliz Natal!