Nova York - Após nove meses da maior crise de seus 103 anos, envolvendo seu principal produto, o avião 737 MAX, a gigante aeroespacial americana Boeing decidiu demitir seu presidente nesta segunda (23).
Dennis Muilenburg será substituído, a partir de 13 de janeiro, pelo atual chefe do conselho de administração da empresa, David Calhoun. Até lá, responde pela Boeing o executivo-chefe da área de finanças, Greg Smith.
O MAX, maior sucesso comercial da história do mercado aeronáutico com 5.000 encomendas desde que seu projeto foi lançado, em 2011, está proibido de voar no mundo todo desde março.
Naquele mês, um segundo aparelho caiu devido a problemas com seu sistema de software ?o primeiro havia se acidentado em novembro de 2018, e ambos os desastres custaram 346 vidas.
Como uma evolução do famoso 737, o MAX tem maiores dimensões e motores. Por isso, eles foram posicionados mais à frente nas asas, gerando uma mudança no centro de gravidade do aparelho que poderia gerar instabilidade em algumas situações de voo.
Para corrigir isso, a Boeing criou um sistema digital chamado MCAS, que corrigia o ângulo de voo do aparelho. O software se mostrou falho e o treinamento de pilotos, insuficiente para lidar com o defeito.
GOL
Isso causou as duas quedas, nas quais as aeronaves perderam controle logo após a decolagem, e levou os 350 aviões já entregues pelo mundo a serem deixados no chão ?7 deles da Gol, única empresa brasileira a operar o modelo.
Além disso, foram apontadas durante a apuração do caso diversas suspeitas de leniência com padrões de segurança, o que a Boeing sempre negou.
Durante as investigações, Muilenburg repetidamente previu a volta do MAX ao serviço ativo, o que ainda não aconteceu. Na semana passada, a Boeing decidiu paralisar em janeiro a produção do avião, que já tem cerca de 400 unidades estocadas para serem entregues aos clientes.
O fato foi visto no mercado como a antessala da queda do executivo. Para piorar sua situação, na sexta-feira a empresa teve de anunciar um outro fracasso, no acoplamento que não ocorreu entre uma nova espaçonave sua com a Estação Espacial Internacional.
Desde o início da crise, a Boeing viu suas ações caírem 22%, perda de cerca de US$ 8 bilhões (R$ 24 bilhões).