10 de julho de 2026
Geral

Filantropia de Bauru dá adeus a um dos seus nomes mais excepcionais

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Foi no dia de Natal, quando o amor e o espírito de solidariedade estão mais aflorados entre as pessoas, que Bauru perdeu uma de suas principais referências de dedicação ao próximo. Presidente da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) por quase quatro décadas, a humanitária considerada a "primeira-dama da benemerência", Olga Bicudo Tognozzi, morreu na noite desta quarta-feira (25), aos 91 anos. O corpo de Olga Bicudo foi velado no Centro Velatório Terra Branca e sepultado sob comoção no Cemitério Jardim do Ypê nesta quinta-feira (26).

Segundo familiares, dona Olga, como era carinhosamente chamada, passou mal no início da tarde e foi encaminhada com oscilações de pressão arterial a uma unidade de pronto atendimento (UPA) da cidade. Ela permanecia em observação no local, mas morreu por volta das 19h, vítima de uma parada cardíaca.

A história de Olga Bicudo se confunde com a da Apae de Bauru, já que ela presidiu a entidade por 37 anos. Nascida em 29 de fevereiro de 1928, em Pederneiras, filha de Edgard Bicudo e Itália Agnelli Bicudo, foi professora e se casou em 1955 com o caixeiro viajante Jessé Zuiani Tognozzi, já falecido.

"Ela não teve filhos biológicos, mas carregou no coração centenas de filhos, pessoas de quem ela pôde cuidar com seu trabalho. A alegria dela era se dedicar à Apae, tanto que continuou presente na entidade até o fim da vida. Ela nunca quis se aposentar", comenta o sobrinho-neto Edgard Patrício Nunes Pinto, salientando que o legado de amor ao próximo deixado por Olga terá continuidade pelas mãos dos funcionários da associação, com quem a presidente conviveu por tantos anos.

Antes de assumir o comando da Apae, já formada em magistério na tradicional Escola Guedes de Azevedo, atuou no curso de alfabetização de adultos, projeto pioneiro do Estado de São Paulo. Lecionou, ainda, no bairro Sol Nascente, em Pirajuí; nas fazendas Macaúba, São João e Nova Saudades, em Bauru; e no antigo 4.º Grupo Escolar, atual Escola Estadual Professor Eduardo Velho Filho.

Ainda quando trabalhava como professora, dona Olga já realizava ações filantrópicas, como a arrecadação de cobertores para ajudar as famílias de baixa renda. Mas foi em outubro de 1982, quando já estava aposentada, que assumiu definitivamente a presidência da Apae.

Em matéria publicada pelo Jornal da Cidade em comemoração aos seus 90 anos, ela contou que o que, de fato, a convenceu a aceitar tamanha responsabilidade foi um artigo publicado na Coluna do Leitor, do JC, e assinado pelo então presidente da entidade, Alberto Segalla.

RECONHECIMENTO

No dia 27 de novembro de 2014, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru indicou dona Olga ao Troféu Direitos Humanos - Fábio Francisco Ferreira Bento. Emocionada, ela acabou confessando, na ocasião, que sonhava ser advogada.

"O meu sonho se concretiza neste momento, uma vez que, por meio do trabalho voluntário, talvez, conquista maior alcancei, recebendo, hoje, meu cartão e minha carteira da Ordem dos Advogados, representados por este troféu", disse. Em 1955, a presidente da Apae também recebeu o Diploma de Honra, por ter alfabetizado 90% dos seus alunos.

Em 2016, Olga foi contemplada com o prêmio Personalidade 2016, da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib). No mesmo ano, a benemérita foi uma das pessoas escolhidas para conduzir a tocha olímpica na passagem por Bauru.