08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

45 anos de vida...

Prof. Carlos A. Alves Neves
| Tempo de leitura: 2 min

O Bauru Ilustrado completou 45 anos de existência. Na sua fundação, foto estampada sábado passado no Bauru Ilustrado mostrava minha mãe, dona Celina, única mulher representante da classe feminina na imagem, altiva, garbosa e com a certeza de que apoiava uma ideia que daria certo, aquele sonho que se iniciava, sonho de poucos, mas que transformaria muitos em leitores assíduos até hoje do Bauru Ilustrado. Incentivadora que era do amigo Luciano Dias Pires, sempre dizia: "Esse Bauru Ilustrado" vai ser um marco na história jornalística de Bauru, e assim se tornou. Filha de ferroviário da NOB tinha orgulho enorme quando as reportagens do BI mostravam artigos, fotos da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, pois viveu muito tempo morando em um vagão de trem. Seu pai, Antonio Alves Filho, discordando da política daquela época, era um comunista declarado, contrário a uma série de fatos que ocorriam na NOB, ganhou de presente, da direção, uma estação no final do mundo. Primeiro em Porto Esperança e depois Corumbá, como chefe de estação, morando num vagão da ferrovia.

Mas tudo isso foi motivo para que dona Celina ficasse ainda mais apaixonada pela ferrovia. Aprendeu a ler e escrever, orientada pelo pai Antonio, sentada num caixão que era usado para enviar as cobras capturadas na região ao Butantã. Sabia se o trem vinha vindo colocando o ouvido no trilho. Coisas do passado, mas que tornaram dona Celina na mulher de fibra e de raça incomensurável que foi.

Enfim, Bauru está de parabéns por ter o Bauru Ilustrado durante tantos anos e sempre mostrando uma parte de nossa história. Acontecimentos históricos e sociais, sempre tendo o ser humano como protagonista, levaram - e continuam levando - os leitores de volta ao passado para que possam compreender melhor o presente. Por trás de todo este trabalho de pesquisa e organização da memória da cidade, está o relações públicas, jornalista e memorialista Luciano Dias Pires.

Com certeza, lá de cima, dona Celina está datilografando uma lauda em sua máquina portátil Olivetti, para enviar ao JC parabenizando o seu amigo Luciano.