Era o primeiro dia de um ano emblemático. Na virada de 1999 para o ano 2000, por conta da mudança de dígitos na contagem de tempo, o medo era de que os computadores de todo o planeta entrassem em pane — o chamado "bug do milênio" - que, por fim, não se concretizou.
Para Niander Gabriel dos Santos Teixeira, de 19 anos, 1.º de janeiro de 2000 é apenas o dia de seu nascimento - inclusive, o primeiro daquele ano em Bauru. "Sempre soube que eu tinha sido o primeiro nascido do ano. Meus parentes me contaram: fui idolatrado", brinca o jovem.
Ajudando a manter a lembrança do acontecimento, o exemplar do Jornal da Cidade que noticiou a chegada do primeiro bebê do ano em Bauru é guardado, até hoje, na casa de Niander Gabriel. Naquela matéria, aos 16 anos, a mãe dele, Daniele Darc dos Santos, afirmou que a data do nascimento o daria muita sorte por toda vida. E, de acordo com o jovem, parece que estava certa. "Ela falava algo sobre boas vibrações e é isso mesmo. Eu tenho muita sorte. Sempre ganho sorteios e rifas, tudo que tenha a ver com números também", destaca.
Infelizmente, ele não poderá compartilhar a chegada dos 20 anos ao lado dela. "Perdi minha mãe em 2009. Ela faleceu em um acidente de trânsito, dirigindo uma moto, aqui em Bauru", lamenta. "Metade da minha vida a tive comigo e essa outra metade, não. É estranho, mas a gente se acostuma", completa, inclusive, dizendo que não se afeiçoa muito à celebração do Ano Novo. "Não gosto dos fogos de artifício", comenta.
PECULIAR
Depois da perda da mãe, o jovem passou a morar com um de seus dois irmãos e com a avó - que o batizou com o nome peculiar. "Até hoje, não sei por que ela me deu esse nome. Em qualquer lugar que eu vou, tenho que falar umas cinco vezes para as pessoas entenderem", comenta Niander, que já se acostumou a ser também chamado pelo segundo nome. "Minha avó diz que veio de um filme. Já pesquisei na Internet e não encontrei", diz.
Não só o nome, mas a própria data de nascimento causa certos transtornos para ele. "As pessoas não acreditam. Quando digitam 01/01/00 dizem que é data zerada do sistema. Tenho sempre que apresentar o RG", afirma.
NATIVO DIGITAL
Embora ele tenha nascido em uma época em que os celulares eram utilizados apenas para falar, sendo que os smartphones com suas redes digitais chegariam ao Brasil posteriormente, Niander Gabriel é um nativo digital, da Geração Z (nascidos entre meados de 1990 e 2010). Diferentemente de crianças de décadas anteriores, a famosa pergunta "mas por quê?" era feita ao computador. "Lembro quando eu descobri que qualquer coisa que eu jogasse na Internet apareceria. Eu deveria ter uns 5 anos", afirma.
Niander Gabriel se prepara para comemorar mais um aniversário ao lado da família. Ele deseja crescer na área e na empresa em que trabalha. "Sou promotor de vendas e gosto muito do que eu faço, mas também tenho planos de cursar gastronomia nesse ano", finaliza.