09 de julho de 2026
JC Criança

Você sabe como é viver na Antártica?


| Tempo de leitura: 3 min

Frio, frio, muuuiiiiito frio. Assim é a Antártica. E tem gente que vive lá! Mas como? Já pensou pra tomar banho? Fazer xixi? Escovar os dentes?

Talvez você não saiba, mas desde a década de 1980, por meio do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), o Brasil contribui para o desenvolvimento da ciência com pesquisas, principalmente, nas áreas de glaciologia, biologia marinha e meteorologia. O repórter da Agência Brasil Mauricio de Almeida esteve lá neste mês e mostrou as dificuldades da viagem e outras curiosidades da rotina de quem vive no continente gelado. Leia o relato dele. É bem legal.

"Quando eu recebi a notícia de que iria viajar para a Antártica fiquei um pouco preocupado. Afinal quem nasceu e sempre morou no Rio não está acostumado com o frio. Não tinha a menor ideia de como iria reagir diante de temperaturas negativas. Além de um possível problema de saúde, surgiram algumas dúvidas como por exemplo: como vou tomar banho na Antártica?

Antes de chegar a Antártica, é claro que você precisa colocar roupas especiais, afinal a temperatura pode atingir menos 40 graus em algumas épocas do ano. Por sorte eu cheguei no verão antártico, quando o termômetro costuma girar em torno dos 6 graus negativos. Pode parecer pouco, mas para a região isso é considerado um dia quente. Esta foi justamente a primeira surpresa que eu tive logo depois de desembarcar no continente gelado.

Ainda caminhando na pista do aeroporto da base chilena, o funcionário que nos acompanhava nos deu as boas-vindas e disse: "Vocês deram sorte porque chegaram num dia quente". Achei que era uma espécie de brincadeira, mas todos que moram na Antártica estavam satisfeitos com o suposto "calor" polar. No alojamento brasileiro na Antártica, encontrei um militar com bermuda e camiseta que estava saindo para correr na praia da Ilha de Rei George, onde fica a Base Brasileira Comandante Ferraz. A imagem me impressionou e cheguei à conclusão de que para quem suporta menos 40 graus, 6 graus negativos é o auge do verão.

Eu não tenho um perfil antártico então usava o tempo todo as roupas especiais. O problema era vestir o material. Ele é composto por um macacão, casaco, gorro, botas revestidas, óculos escuros e luvas. Todo o equipamento é impermeável e com diversos lacres para evitar a entrada do vento polar. Você precisa vestir sobre a sua roupa mesmo para aumentar a proteção térmica. Pode parecer simples colocar essa roupa, mas não é. A vestimenta chamada de andaina tem um monte de locais para fechar e depois que você coloca a luva grossa fica sem tato algum. Caso algum botão ou zíper não estejam completamente lacrados vai permitir a entrada do gelado vento Antártico e você não vai suportar ficar fora da base. A maior dificuldade mesmo é quando chega a hora de calçar a bota. Ela só entra à força. Um detalhe: você precisa colocar e tirar a roupa várias vezes durante o dia porque dentro da estação a temperatura é aquecida. Ao longo do dia, fazendo minhas reportagens, eu precisava entrar e sair várias vezes da base, então o troca-troca de roupa foi intenso.

Tudo é difícil para um marinheiro de primeira viagem, mas na estação brasileira existe um grupo especial de militares da Marinha, uma espécie de anjo da guarda dos visitantes. Eles nos acompanham o tempo todo e, gentilmente, ajudam os marujos recém-desembarcados no continente gelado. Eles também cuidam da nossa segurança, e sempre caminhamos pelo gelo acompanhados. Esta é uma regra Antártica nunca sair da base sozinho e sem rádio. O clima é muito instável e você pode ficar sem condições de voltar ou sofrer alguma queda no gelo e por isso a comunicação e a companhia podem ser a diferença entre a vida e a morte."