Agosto de 2019, rua São Gonçalo, quadra 4, Vila Perroca. Surgia em Bauru, pela ação de voluntários, um projeto inspirador com o fim de valorizar a efervescência da cultura local. De portas abertas à população às segundas, quartas e aos finais de semana, o Centro Cultural Acesso Popular é mantido por ações artísticas e doações e tem como proposta fomentar exposições e trabalhos independentes nos variados segmentos de forma gratuita.
Como próprio nome diz, a proposta é tornar a cultura mais acessível para a população. E é o que Renato Magu, de 39 anos, que é produtor cultural, e Yuri de Freitas, 37, que é executivo de contas, buscam fazer nos seus dias e horas de folga.
No local, não há funcionários, apenas um grupo de cerca de 20 amigos de Yuri e Magu que ajudam o projeto a caminhar.
"A casa abre espaço para todos, basta chegar e marcar horário. E a grana arrecadada, seja passando o chapéu em pequenos shows que organizamos, ou vendendo arte, é revertida inteiramente aos artistas como forma de valorização. E para que eles tenham recursos para continuar produzindo", explica Magu.
O espaço é alugado e as atividades e doações ajudam a mantê-lo. Yuri e Magu complementam as contas com dinheiro do próprio bolso, mensalmente.
"A idéia é que a casa se automantenha. A única coisa que pedimos aos artistas é o que chamamos de pedágio, que eles doem algum trabalho próprio para o acervo da casa", acrescenta Yuri.
A biblioteca do Centro Cultural também empresta livros gratuitamente, uma colaboração em dinheiro é pedida, mas o valor fica à critério do público. Outras atividades que ajudam na contribuição são as sessões reiki, mantidas por voluntários, e as oficinas de arte, que a entidade busca ampliar para 2020.
"Já abrigamos imigrantes em situação de vulnerabilidade, já hospedamos artistas, como quando ocorre a Semana do Hip Hop", acrescenta Magu, que mora em um dos quartos da casa. "Tem artista que começou vendendo peça de roupa afro aqui nos eventos e já está com loja na cidade", completa elencando os primeiros resultados.
O espaço também oferece rodas de conversa temáticas.
HISTÓRIA
O Centro em questão nasceu como um braço do Instituto Acesso Popular, que é uma organização da sociedade civil constituída em 2006, com objetivo de ser um aglutinador dos movimentos sociais e culturais de Bauru. Em 2011, o instituto foi reconhecido pelo governo federal como ponto de cultura e, em 2015, lançou a Casa da Cultura Hip Hop, que funciona na antiga Estação Ferroviária.
Magu é um dos coordenadores de lá, mas conta que resolveu criar o Centro em uma casa particular, porque sentia falta de autonomia para realizar outras ações que viabilizassem financeiramente a proposta e que difundisse também outros seguimentos além do Hip Hop.
"Havia limitações por estarmos dentro de um espaço controlado pela prefeitura. Agora, temos um espaço privado que recebe gratuitamente e a qualquer dia artistas da cidade que não conseguem circular seu trabalho por vias institucionais. E organizamos eventos para ajudá-dos", ressalta Magu.
Se tem dado certo? As exposições de arte ocorrem a cada 15 dias e quatro artistas esperam na fia pela oportunidade.