10 de julho de 2026
Política

Um ano de eleições municipais


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As eleições municipais em 2020 devem ainda trazer reflexos da polarização vivida pelo País nos últimos processos eleitorais nacionais, de 2014 e especialmente 2018, mas com temas locais predominando durante o debate. Essa é a avaliação do cientista político Bruno Pasquarelli. O Brasil saiu da eleição para presidente há pouco mais de um ano bastante dividido e essa marca ainda aparecerá nas disputas que virão nos próximos anos, mesmo em âmbito municipal, afirma o especialista.

Em capitais e municípios de maior porte, essa tendência é mais perceptível. "Nas eleições municipais, a população pode esperar uma polarização maior em cidades onde há uma disputa enraizada entre partidos, como em São Paulo, Porto Alegre. No Interior, isso é um pouco menos nítido, mas sempre reflete o que acontece no País", cita.

De acordo com ele, como em Bauru a votação foi alta para o atual presidente Jair Bolsonaro, um candidato eventualmente apoiado por ele pode ter vantagem. "Vendo o cenário local, há um candidato a prefeito que deve buscar a reeleição e, entre os concorrentes, alguns que já disputaram eleições anteriores e devem tentar de novo. Aí entra a avaliação que a população vai fazer do atual governo municipal. Mas essa polarização nacional entre esquerda e direita do País, a gente não vê tão forte aqui", entende.

Para Pasquarelli, as propostas dos principais nomes que se apresentam como candidatos a prefeito de Bauru estão em campos parecidos, não há uma grande diferenciação. "O que temos sim é uma tendência do eleitorado de Bauru mais próxima a apoiar grupos mais conservadores, tendo em vista a votação do presidente Bolsonaro no município. Alguém que venha a ter seu apoio teria vantagem. Mas também pode haver muita influência de cenário econômico nacional e de assuntos municipais", lembra. O cientista política frisa ainda que, nas cidades menores, a população tende a olhar menos para aspectos partidários e mais para os candidatos.

Na Internet

A eleição de 2020 deve ser a primeira em âmbito municipal em que a Internet pode já superar a campanha tradicional, onde o horário de rádio e televisão era o principal da campanha eleitoral, junto com o corpo a corpo nas ruas. O fenômeno, em nível nacional, já foi visto há dois anos. "Em relação ao debate, as redes sociais devem centralizar muita coisa. A campanha tradicional é importante, mas o foco acabou indo para as redes sociais e isso foi muito forte desde a eleição passada. As pessoas devem participar de maneira mais atenta, verificando o que é verdade ou não, fazendo uma pesquisa em cima das informações que recebe. Então, a própria população terá que participar checando mais o que receberá de conteúdo. E a discussão política deve acontecer sempre e não apenas em época de eleição", comenta.

De acordo com Pasquarelli, ter uma polarização, em princípio, não é o problema. "A polarização interfere bastante, mas isso vamos ver ao longo do ano. Se a economia estiver bem, tende a dar mais votos a partidos que dão apoio ao governo federal. Por outro lado, também pode render mais votos a partidos de oposição, se a economia não estiver bem. A polarização no País está muito forte. Isso em si não é negativo. É até importante. Precisa ter partidos de centro, esquerda e direita. O que não pode ter é a radicalização da polarização, porque aí prejudica o debate. Aí entram os freios e contrapesos da sociedade, da própria imprensa e das instituições para barrar exageros desses grupos", afirma.

Assuntos dominantes

Em eleições municipais, os assuntos que predominam na campanha variam conforme a região, lembra o cientista político Bruno Pasquarelli. Ainda assim, temas de alcance nacional acabam entrando na discussão. "Na última eleição nacional, vimos um debate muito forte sobre a segurança. Vimos pouco debate em áreas como saúde, educação e estrutura urbana. Já na lógica municipal, os assuntos tendem a se dissipar mais e devemos ter mais temas entrando na discussão. Acredito que a segurança deva ser um assunto preponderante em vários municípios, pois é uma agenda do momento, além do combate à corrupção e a questão do desemprego. Esse é um ponto que deve ser muito forte em todos os lugares", comenta, destacando portanto que a economia, mais uma vez, pode ser um fator importante no rumo das eleições.