11 de julho de 2026
Economia & Negócios

'Agora vai', dizem os economistas

FolhaPress
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São Paulo - Pelo terceiro ano consecutivo, governo e economistas do setor privado começam janeiro otimistas e com a expectativa de que a economia brasileira crescerá acima de 2%, deixando para trás a quase estagnação verificada desde que o país saiu da recessão do período 2014-2016. O chamado "agora vai" acabou frustrado nos últimos dois anos por questões como a demora na aprovação de reformas na área fiscal, incertezas em relação ao governo Bolsonaro, crise argentina e a desaceleração da economia mundial.

Esses fatores são os mesmos que ameaçam, em 2020, a recuperação mais forte da atividade econômica que tem sido verificada desde o início do segundo semestre de 2019, anabolizada em parte pela liberação de recursos do FGTS que deram mais gás ao consumo. A avaliação, entretanto, é que os riscos agora são menores, e os incentivos para a recuperação econômica, maiores.

No final de 2017, as projeções dos analistas consultados pelo Banco Central na pesquisa Focus apontavam crescimento de 2,7% para 2018. O resultado ficou em 1,3%, devido à greve dos caminhoneiros e a incertezas com o período eleitoral.

Em dezembro de 2018, às vésperas da posse de Bolsonaro, analistas renovaram a aposta, projetando crescimento de 2,55%. O País, no entanto, não conseguiu sair da média de 1% até o terceiro trimestre de 2019, e a expectativa é que feche o ano com expansão de 1,2%.

Após dois anos de frustrações, a mesma pesquisa aponta expectativa de crescimento de 2,30% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020. O próprio BC passou longe dos resultados verificados, tendo projetado expansão de 2,6% para 2018 e 2,4% para 2019. Agora, prevê crescimento de 2,2% em 2020.

Grandes bancos, consultorias e instituições como o Ibre/FGV e o Fundo Monetário Internacional têm projeções semelhantes. A avaliação é que 2020 começa com um importante estímulo em relação aos anos anteriores: a redução da taxa Selic a patamares historicamente baixos (4,5% ao ano). Soma-se a isso a aceleração do consumo vista nos últimos seis meses, que dá fôlego ao comércio e pode levar à reposição de estoques na indústria.

As estimativas são de que somente o efeito estatístico do impulso do segundo semestre de 2019 garanta pelo menos um ponto percentual de crescimento, ou seja, um empate técnico com o ano anterior, segundo a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre/FGV.