Maior consumo das famílias, mais investimentos produtivos e a manutenção do saldo positivo da balança comercial brasileira deverão garantir um crescimento da economia de 2,2% a 2,5% acima da inflação em 2020. Já o crescimento nominal, sem descontar a inflação estimada para o ano, será próximo de 6%.
Quem faz a projeção é o economista Reinaldo Cafeo, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib). A Associação Paulista de Supermercados (Apas) também divulgou estudo que prevê crescimento do setor varejista alimentar no Estado entre deve 2% e 2,44% em 2020, maior valor dos últimos cinco anos (leia mais abaixo).
Cafeo explica que um dos fatores que impulsionará a economia no ano que se aproxima - o consumo - representa dois terços de influência na formação do Produto Interno Bruto (PIB) e é movido por duas variáveis: renda e crédito. Embora as vagas de emprego, que garantem renda ao trabalhador, não tenham sido plenamente recuperadas, a queda na taxa de juros tem ofertado mais crédito e, neste caso, há dois efeitos no comportamento dos consumidores.
O primeiro é a menor atratividade na aplicação financeira, e portanto, pessoas com excedentes financeiros podem optar por consumir. O segundo são os consumidores que precisam de crédito e, uma vez que a taxa de juros é menor, podem antecipar as compras via crediário, adquirindo bens duráveis.
"Os investimentos produtivos também estão voltando. Os últimos números de 2019 foram muito positivos e esse olhar fora do mercado financeiro também vai ser importante para isso. Há menos remuneração nas aplicações financeiras conservadoras, então, investir em imóveis é boa opção, tanto que o crescimento da construção civil pode chegar a 3% ano que vem", detalha.
OPÇÃO
Outra opção, acrescenta Cafeo, é aplicar recursos no setor produtivo, como ampliar a planta física de empresas, adquirir equipamentos e até abrir franquias. Quanto aos gastos do governo, a expectativa é menor, visto que a previsão é de contenção de gastos públicos.
"Já as exportações não estão no volume que o País necessita e o Brasil ainda possui pauta de exportação fraca, porque é muito centrada em commodities. E, mesmo com o acordo comercial entre China e Estados Unidos, é possível projetar saldo da balança comercial positivo", diz.
O presidente da Acib ressalta que, para consolidar esta projeção, o País não pode enfrentar nenhum revés ao longo do ano e pelo menos duas reformas terão de ser iniciadas: a administrativa e a tributária.