Há mais de dez anos, o formol foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de ser vendido e utilizado na formulação de produtos de higiene pessoal e beleza. Apesar da determinação, muitas químicas usadas para fazer escova progressiva ainda possuem a substância, que é nociva à saúde.
No fim do mês passado, uma mulher morreu em Ilha Solteira (SP) ao sofrer uma parada cardiorrespiratória após ser internada com queimação pelo corpo, irritação na pele e falta de ar em decorrência a uma alergia ao formol usado na escova progressiva.
"O que fez do formol uma substância popular nos alisamentos é o fato dele poder ser usado em cabelos descoloridos ou que já receberam outros tipos de alisamento sem arrebentar os fios", afirma Rodrigo Pirmez, coordenador do Departamento de Cabelos da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional Rio de Janeiro, que complementa: "No entanto, devido às evidências de malefícios à saúde ele foi proibido para esse fim e atualmente só é liberado na concentração de 0,2% como conservante em cosméticos ou até 5% como endurecedor de unhas em esmaltes".
Além de ter um grande potencial de causar reações alérgicas agudas na pessoa, o formol é cancerígeno. "A longo prazo, a exposição ao formol pode causar câncer no nariz, na boca e no nosso sistema respiratório", explica a dermatologista Ana Carolina Sumam.
A substância consegue destruir as pontes de sulfeto que fazem com que o cabelo tenha o aspecto encaracolado ou crespo. Por causa disso, os fios ficam lisos e brilhosos. "Porém, o que o formol faz, de verdade, é um encapamento do fio, deixando-o mais enrijecido. A médio prazo, o cabelo não consegue absorver mais os nutrientes externos e fica desidratado e quebradiço", explica Ana Carolina.