Agora é oficial. Jesualdo Ferreira é o novo técnico do Santos. Dias depois de anunciar o acordo, o Peixe recebeu, nesta quarta-feira (8), o comandante para a sua primeira entrevista coletiva. Questionado o motivo pelo qual escolheu o Santos, o treinador português não titubeou. "É fácil. Eu escolhi o Santos porque me convidaram. Foi uma honra para mim. Nunca pensei que fosse capaz de estar numa situação em que estive, com os responsáveis do clube dizendo com clareza para eu vir", comentou.
Na temporada passada, o Santos surpreendeu e foi o vice-líder do Campeonato Brasileiro. Comandados por Jorge Sampaoli, o clube conquistou 74 pontos e ficou atrás apenas do Flamengo. Apesar de ser o seu sucessor, o treinador exaltou o argentino, mas prometeu fazer história. "O trabalho de Jorge Sampaoli foi notável. Vou cumprimentar os jogadores e tirar o chapéu. Só que todos vocês sabem que a história de um clube não pode parar. Para continuar a história é preciso recriar a história", finalizou.
Por fim, Jesualdo voltou a exaltar o Santos e deixou claro que nunca recusaria uma oferta do clube que revelou Pelé. "Para mim, futebol brasileiro faz parte de mim, da minha cultura. Eu nunca recusaria trabalhar um time do Brasil. Com todas as dificuldades que podia sentir, jamais recusaria treinar o clube do Pelé, um clube mítico. A primeira referência do futebol brasileiro. Eu tinha 16 anos e vi o Santos contra o Benfica ser campeão do mundo", completou.
MUDANÇAS
Logo na sua primeira entrevista coletiva, o comandante português demonstrou conhecer muito bem o elenco do Santos, que, segundo ele, tem problemas no sistema defensivo. "Santos se esforçava em campo pela atitude ofensiva clara. Equipe com jogadores rápidos e com mais ou menos envergadura. Talento e competência. Meio-campo resistente, adulto, e defesa que cuidava pouco porque perspectiva era atacar. Me agrada, gosto, mas também é verdade que não podemos ver um lado. Mas também é verdade que tem de existir um equilíbrio. São jogadores que me agradam e que me motivam para trabalhar de acordo com o meu modelo", analisou.
Comparando o calendário europeu com o brasileiro, o novo técnico do Santos não escondeu sua insatisfação. "Vamos trabalhar em conjunto para melhorar o que estava muito bom. Só que não há tempo. É difícil. Duas semanas para depois jogos em três ou quatro dias. Treinar como? Alterar? Influenciar, explicar de novo? É com essa dificuldade que trabalharei. Temos quatro semanas e competição oficial começa e não para mais. Esse processo é diferente porque valorização é diferente do Brasil. O posicionamento das competições é diferente. Não digo se é melhor ou pior, mas é assim. É necessário se adaptar", completou.
Por fim, Jesualdo explicou quais os planos para os jogadores das categorias de base do Santos. "É necessário valorizar a marca do Santos. Estamos falando de mercado agressivo e muito competitivo. Espero que ninguém mais fuja, seria complicado (risos). Essa é a atividade que o Santos desenvolve ao longo dos anos. Todos precisam perceber que quando se treina, se procura, se trabalha, e quando há o produto, é necessário valorizar um investimento rentável. É minha ideia. Todos precisam pensar igual", finalizou.