A temporada de chuvas chegou e, com ela, renasce uma preocupação: a transmissão da dengue. No ano passado, a doença deixou um rastro de destruição em Bauru. Foram 39 mortes e 26.241 pessoas infectadas.
E, em 2020, a Secretaria Municipal de Saúde já contabiliza dois casos suspeitos sob investigação. Com o objetivo de controlar a transmissão da doença e conhecer melhor a forma como o vírus se distribui na cidade, uma série de medidas já está sendo adotada (leia mais abaixo).
Uma das principais novidades será a contratação de uma empresa especializada para instalar cerca de 450 armadilhas para capturar ovos do Aedes aegypti. O equipamento, denominado ovitrampa, nada mais é do que um vaso preto, que contém uma pequena chapa de madeira e uma infusão natural que serve como atraente para a postura de ovos da fêmea do mosquito.
A previsão é de que os dispositivos sejam distribuídos a partir de março em imóveis residenciais e comerciais de diversas regiões da cidade. "O monitoramento será semanal. Quando o Aedes fizer a ovoposição na armadilha, estes ovos serão coletados e mantidos em ambiente protegido, até que os mosquitos se tornem adultos", explica o chefe da seção de ações do meio ambiente da Secretaria Municipal de Saúde, Roldão Antonio Puci Neto.
Na sequência, a empresa contratada pela prefeitura encaminhará os insetos para realização de virologia em laboratório, ou seja, para descobrir se eles estão ou não contaminados pelo vírus da dengue. "Além de detectarmos quais as regiões mais infestadas do município, teremos condições de saber qual é a proporção de mosquitos que carrega o vírus. Estas informações vão nos permitir desenvolver ações de controle de forma mais efetiva", detalha.
INVESTIMENTO
A estimativa é que o investimento para este trabalho seja de R$ 500 mil a R$ 600 mil por ano. Segundo Puci Neto, o levantamento é uma recomendação do Ministério da Saúde, para que, futuramente, o município tenha acesso às novas tecnologias de combate à dengue que estão sendo desenvolvidas dentro do programa federal Vigiarbo.
A Secretaria Municipal de Saúde, contudo, já vinha mapeando a distribuição dos casos de dengue em Bauru nos últimos cinco anos. O estudo mostrou que 40% de toda a transmissão da doença está concentrada na região noroeste, que inclui bairros como Vista Alegre, Bela Vista, Petrópolis, Vânia Maria, Jaraguá, Santa Edwirges e Nova Esperança.
Outros 30% correspondem à região sul, onde se inserem - de acordo com a territorialização feita pela pasta - a Vila Falcão, Vila Dutra, Jardim Ouro Verde e Vila Independência. "São duas grandes regiões que respondem por 70% dos casos de dengue de toda a cidade", completa.