10 de julho de 2026
Geral

Criança com hidrocefalia enfrenta drama na saúde

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Dois anos e 26 cirurgias. Heitor Cardoso Andalafth Egydio mal veio ao mundo e já enfrenta estas e outras lutas para viver. Diagnosticado com hidrocefalia, ele é paciente do Hospital das Clínicas de Botucatu, mas é em Bauru, cidade em que mora, que ele tem enfrentado seu maior drama. É que, por aqui, nenhuma unidade médica, nem mesmo o Hospital Estadual, viria aceitando recebê-lo para evitar o longo deslocamento em urgências médicas, segundo diz sua mãe dele, Erica Albina. O Estado nega (leia mais abaixo).

"Se algo acontece, vamos para a UPA do Bela Vista, mas ficamos lá por horas aguardando uma ambulância para ir até Botucatu, porque, no Estadual, nos dizem que não há médico capacitado para o caso dele. Só que lá tem neurologista, sim", critica Erica.

O garoto não fala, não anda, não fecha os olhos e não consegue apoiar a própria cabeça, que possui, atualmente, uma circunferência de 63 centímetros, o tamanho da de um adulto. Erica conta que o problema foi diagnosticado ainda na gravidez. A então auxiliar de produção largou tudo para conseguir dar conta dos cuidados com Heitor, que necessita de acompanhamento durante 24 horas.

Aos 39 anos, ela virou cuidadora do filho por falta de condições. A família não conseguiu o Loas (benefício pago pelo INSS a idosos e pessoas com deficiências) e vive com menos de três salários mínimos, dependendo de ajuda para quase tudo.

"Ele é alimentado por sonda e tem refluxo. Às vezes, também tem espasmos. É complicado, mas é um ser humano e precisa de carinho, de amor e de cuidados. Ele não sorri, mas chora e dói em mim cada momento de dor ou sofrimento", diz Erica, que ainda dá atenção para outros dois filhos, de 14 e 19 anos.

ESPERANÇA

Há um ano, aproximadamente, Heitor teve paralisia em membros e a família foi desenganada por médicos, que diziam que o garoto não viveria mais do que dois dias. Semanas depois, ele se recuperou e deu esperança aos familiares. "Vejo de perto a evolução dele, mas os hospitais já desistiram, consideram paliativo. Acho que meu filho nem precisava usar a sonda gástrica mais, mas ninguém quer investir", desabafa.