08 de julho de 2026
Nacional

Aumentam riscos de incêndio na Amazônia

FolhaPress
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Manaus - As mudanças climáticas devem intensificar os incêndios no sul da Amazônia, região do arco do desmatamento, o que fará crescer a área queimada e consumir até 16% do bioma na região até 2050. Além disso, mais queimadas significam mais emissões brasileiras de gases do efeito estufa. 

Os cenários para o fogo na Amazônia nas próximas décadas foram simulados em pesquisa publicada, nesta sexta (10), na revista Science Advances.

Os pesquisadores levaram em conta cenários mais otimistas (com menores emissões, próximas ao Acordo de Paris) e mais pessimistas (sem redução das emissões). Em ambos os casos, intensifica-se o fogo na Amazônia. Isso acontece porque a umidade do interior da floresta, que naturalmente impede o surgimento natural do fogo e o avanço de incêndios, diminui conforme o clima local fica mais seco. 

Na floresta amazônica, o fogo está fortemente relacionado ao processo de desmatamento, no qual os desmatadores queimam, durante o período seco, a mata derrubada. 

Em agosto de 2019, o Brasil teve 91.891 pontos de fogo - mais de 50% deles na Amazônia -, o maior número de focos de queimadas para o mês desde 2010. Os incêndios na floresta amazônica estavam concentrados em propriedades privadas.

Mesmo para cenário em que o desmatamento deixa de acontecer, os incêndios devem aumentar, segundo a pesquisa. Ainda que o desmate volte a patamares menores, de cerca de 3.000 km² por ano (entre agosto de 2018 e julho de 2019 a destruição alcançou 9.762 km²), a floresta mais seca devido às mudanças do clima deve intensificar as queimadas.

CONTROLE

Segundo os pesquisadores, controlar o desmatamento se torna central para reduzir o fogo e as emissões derivadas dele. No pior cenário possível (sem redução de emissões), sem desmate, as áreas queimadas são reduzidas em mais de 30% e as emissões de gases-estufa em 56%.