O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) retomou, na semana passada, as investigações da operação 'João de Barro', que apura irregularidades na Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). Nesta quinta-feira (16), começam as oitivas. Dois funcionários da Cohab serão ouvidos pelos promotores que trabalham diretamente neste caso, em outra frente de investigação dentro da operação, que foi deflagrada no final do ano passado.
Em seguida, o MP-SP entrou em recesso, com o retorno das atividades no último dia 7 de janeiro. Em dezembro, o Gaeco apreendeu 1,6 milhão em notas de real e 30 mil em notas de dólar norte-americano na residência do então presidente da companhia Edison Bastos Gasparini Jr. Valores menores em notas de euro e libras esterlinas também foram encontrados. Na época, Gasparini afirmou ao JC que o dinheiro é proveniente de negócios no setor agropecuário.
O Gaeco investiga também os contratos da Cohab com diversas construtoras para o pagamento de valores antes mesmo da confirmação de acordo na Justiça. No mesmo dia, Gasparini se afastou do cargo de presidente. Junto com ele, saíram também o diretor financeiro Paulo Sérgio Gobbi e o gerente jurídico Milton Gimael. O Conselho de Administração aprovou as nomeações do novo presidente, Arildo Lima Jr., e do diretor financeiro, Marcos Garcia, feitas pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta. A corregedora-geral da prefeitura, Andrea Salcedo, está se afastando da função para assumir como gerente jurídica, a partir da semana que vem.
APURAÇÃO
De acordo com os promotores do Gaeco em Bauru, outras pessoas ligadas à Cohab serão chamadas posteriormente para falar sobre o caso, inclusive o ex-presidente. Já o material apreendido em diversos endereços, tanto em Bauru como fora, estão sendo analisados. O material físico já vem sendo apurado pela equipe do Gaeco, e a perspectiva é que, entre o final de janeiro e o começo de fevereiro, alguns resultados já possam aparecer. Em relação aos arquivos digitais, uma perícia especializada em São Paulo vai salvar o material, para depois ser trazido de volta com as devidas autenticações. Portanto, esta segunda parte vai demorar um pouco mais.
A previsão é que a investigação dure, pelo menos, mais seis meses, pelo número de pessoas que podem ser chamadas a depor e também dependendo do que for encontrado dentro do que já foi apreendido. Em relação ao dinheiro que estava na casa do ex-presidente Gasparini Jr., o Gaeco não o chamou para depor. Ele deverá ser convocado em momento oportuno.