"O futebol feminino está avançando, mesmo que em ritmo lento. Ainda falta muito a alcançar, mas o espaço, a visibilidade que conquistamos já não se perde mais". A análise é da meia Grazielle Nascimento, da equipe profissional do Corinthians, que esteve em Bauru neste sábado (18) com outras cinco jogadoras do Alvinegro e da Ferroviária - times expoentes do futebol feminino brasileiro - para um "desafio" realizado no Sesc, dentro da programação da 25ª edição do projeto Sesc Verão.
Além dela, que teve passagem pela Seleção Brasileira, participaram da vivência com o público a lateral-direita Paula Pires e a lateral-esquerda Suellen Rocha, do Corinthians. Pela Ferroviária, estavam a lateral-esquerda Ana Barrinha e as zagueiras Géssica do Nascimento e Andréia Rosa.
Em entrevista ao JC, as atletas comemoraram o momento vivido pelo futebol feminino, que vem ganhando em infraestrutura e profissionalização ao longo dos anos. Porém, não deixaram de destacar alguns desafios bastante difíceis, como a necessidade de reduzir a discrepância em relação ao futebol masculino, bastante visível, por exemplo, quanto às condições de treinamento e salários.
"Mas já mudou bastante. Hoje, uma atleta habilidosa em início de carreira ganha salário de R$ 6 mil, R$ 7 mil. Eu, quando tinha 15 anos, ganhava R$ 200,00 por mês", compara Grazielle, hoje com 38 anos. Além de salários mais dignos, as atletas dos grandes clubes também contam com carteira de trabalho, o que garante maior respaldo às atletas.
A lateral-direita Paula Pires, do Corinthians, observa que outro avanço importante foi alcançado em 2019, quando, por exigência da CBF, todos os clubes da Série A passaram a ser obrigados a manterem equipes femininas. "É claro que nosso desejo era de que não tivesse sido algo imposto. Mas acho que, de alguma maneira, isso irá contribuir para que todo mundo consiga ver o futebol feminino de uma maneira diferente", comenta.
OLIMPÍADAS
Em ano de Olimpíadas, Paula também faz uma avaliação positiva para a seleção feminina, que será comandada pela experiente técnica sueca Pia Sundhage, dona de um currículo profissional vitorioso. "É uma pessoa de fora, que tem outras vivências. Então, acredito que só irá acrescentar coisas boas à equipe", pontua.
Sobre a iniciativa deste sábado, de reunir as atletas para interagirem com os frequentadores do Sesc, Andréia Rosa - também atuou pela Seleção Brasileira e hoje é zagueira da Ferroviária - avaliou ser uma ferramenta para valorizar o momento especial vivido pelo futebol feminino e inspirar novas gerações de jogadoras. "É muito bacana fazer com que as meninas que gostam de futebol tenham a oportunidade de ficar perto das atletas, conversar, jogar bola junto e estimulá-las a acreditar que elas também podem estar no nosso lugar um dia", completa.