"Desde antes de ser mãe, eu sempre sonhei com minha Melissa. Mas esse sonho foi interrompido. Ela virou um anjo". É com tristeza no olhar, mas com a força de uma mulher que ainda tem dois filhos pequenos para criar, que a gestora Suelen Katrini Vieira Cosmo, 28 anos, tenta se manter firme para seguir adiante.
Conforme o JC divulgou, no último sábado (18), ela sofreu um acidente na quadra 8 da avenida Rosa Malandrino Mondelli, no Núcleo Mary Dota, quando o carro em que estava com o marido e os filhos de 6 e 2 anos se envolveu em uma colisão com outro veículo. Suelen estava grávida de seis meses de uma menina e perdeu o bebê, que receberia o nome de Melissa.
"Tínhamos passado a tarde no Parque Vitória Régia para brincar com as crianças e estávamos voltando. Faltava muito pouco para chegarmos em casa", conta. O acidente foi registrado por volta das 16h50, a cerca de 250 metros de distância da residência da família.
Suelen conta que todos os ocupantes estavam usando cinto de segurança. Com o impacto da batida, o dispositivo acabou pressionando a parte baixa de sua barriga, que ficou vermelha logo em seguida. "Eu saí do carro já sentindo muita dor", relembra.
A mulher possui convênio médico, mas, como foi socorrida pelo Samu, foi levada, como rege o protocolo, ao hospital público de referência - no caso, a Maternidade Santa Isabel. Suelen diz que, na unidade, foi vítima de negligência.
"Eu fiquei cerca de meia hora lá. Voltei para casa e o dia ainda estava claro. Não fizeram um exame mais detalhado, um ultrassom, e me deram alta. Nem em observação eu fiquei", reclama. Já a Maternidade, por meio da assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde, afirma que prestou toda assistência necessária à paciente, mas que apura "eventuais intercorrências por comissão especializada" (leia mais abaixo).
FRATURA E LESÃO
Suelen sustenta que os únicos procedimentos realizados foram aferição de pressão arterial e ausculta dos batimentos cardíacos do bebê com o uso de um equipamento portátil. "Para se ter ideia, fui andando da maca até a sala da médica. Tive que colocar a camisola do hospital sozinha, com muito custo, por causa da dor", acrescenta.
Segundo a paciente, os batimentos do coração de Melissa pareciam fracos, difíceis de serem ouvidos. Diante disso, ela diz que perguntou sobre a necessidade de realizar ultrassom, o que teria sido descartado pela médica. Apenas um analgésico, que Suelen já estava acostumada a tomar, teria sido receitado.
Por volta das 21h, ainda sentindo muitas dores, a gestante deu entrada em um hospital particular, onde, por meio de ultrassom, a morte de sua filha foi constatada. No domingo, o parto induzido foi realizado. De acordo com Suelen, apesar de a placenta ter permanecido intacta, Melissa sofreu fratura em uma das pernas e lesão grave no fígado.
"Se eu tivesse recebido, desde o início, atendimento digno, humano, talvez minha filha tivesse sobrevivido. Estou tentando ser forte neste momento, mas era meu sonho ser mãe da Melissa", lamenta. Ela adianta que irá acionar judicialmente o Estado por negligência médica.