Davos - Os cinco dias do encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, chegaram ao fim nesta sexta (24) com uma acentuada divisão entre os que veem a crise ambiental como um problema urgente e os que reconhecem o problema, mas afirmam que sua urgência é superestimada -caso do governo do presidente Jair Bolsonaro. Restaram também algumas dúvidas no ar gelado dos Alpes Suíços.
O Brasil deixou Davos melhor do que entrou, ao menos em termos de atratividade para investimentos.
Apreensões quanto ao país enumeradas no ano passado, sobretudo em relação à estabilidade democrática e à viabilidade da execução das reformas prometidas, neste ano pareceram mitigadas. Em parte, isso se deveu ao desempenho do ministro Paulo Guedes (Economia), que na ausência de Bolsonaro se viu livre de ruídos e no meio das atenções, justamente no lugar onde se sente em seu ambiente: uma reunião de financistas globais.
Ganhou elogios de banqueiros e chefes de organismos internacionais, teve encontros com mais de 50 chefes de grandes empresas globais que avaliam investir no Brasil. Na lista de encontros privados com presidentes de empresas estava Tim Cook, presidente da Apple. Ao ser indagado pela reportagem se estava considerando fazer investimentos no Brasil, o presidente da gigante tecnológica abriu um sorriso largo e confirmou: "Sim".
SOROS CRITICA
A atuação do presidente da República, Jair Bolsonaro, em relação à polêmica em torno da floresta Amazônica foi alvo do megainvestidor e filantropo George Soros, em Davos, na Suíça. Num jantar tradicional do Fórum Econômico Mundial, na noite de quinta-feira ele avaliou que continua a ocorrer uma "catástrofe humanitária" na América Latina. Também anunciou que doará US$ 1 bilhão para uma rede que terá com foco o combate ao autoritarismo e ditadores no mundo.
Sobre a Venezuela, citou que quase 5 milhões de venezuelanos haviam imigrado de seu país levando uma "tremenda perturbação" aos vizinhos. "Ao mesmo tempo, Bolsonaro não conseguiu impedir a destruição das florestas tropicais no Brasil, com o objetivo de abri-las para a pecuária", apontou.
O bilionário destacou que o momento atual é uma marca de transformação na história. "A sobrevivência das sociedades abertas está ameaçada e enfrentamos uma crise ainda maior: a mudança climática. Está ameaçando a sobrevivência de nossa civilização".