09 de julho de 2026
Nacional

Geração 'nem-nem' quer trabalhar, mas não tem oportunidades

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

O Brasil tem 10,9 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que nem estudam nem trabalham. O número representa 23% da população nesta faixa etária. Eles são chamados de geração nem-nem e, na maior parte das vezes, são vistos como apáticos ou preguiçosos por não estarem nem trabalhando nem estudando.

Especialistas e profissionais que trabalham com esses jovens, principalmente os de origem periférica, discordam do uso do termo. Sabem que, na prática, a falta de oportunidades e o preconceito com a falta de experiência dos jovens, além de outras questões, tornam a questão "nem-nem" um pouco mais complexa.

Foi a conclusões como essas que chegou a Tese de Impacto Social em Empregabilidade da Artemisia, organização de apoio a negócios de impacto social no País. Ela analisou e cruzou mais de 100 estudos e fontes e realizou entrevistas com 20 players do mercado. Foram reunidos dados públicos de instituições como IBGE e Ministério do Trabalho e Emprego, que resultaram em mais de 200 páginas de estudo.

Sobre a geração "nem-nem", a Tese mostra, por exemplo, que há 100 vezes menos postos de trabalho para moradores de zonas periféricas. "Entre os que buscam emprego, há relatos de diversas barreiras, sendo uma das principais a segregação espacial", afirma Priscila Martins, gerente de relações institucionais da Artemisia.

De acordo com ela, além disso, os jovens não têm oportunidades para desenvolver uma trajetória acadêmico-profissional adequada. "Estão trabalhando, mas não recebem remuneração. Poderiam estar estudando, mas ajudam a família."

A falta de perspectivas de crescimento pessoal, social, econômico e profissional está na raiz do problema. Fundadora da Kinah, iniciativa que busca qualificar e inserir o jovem periférico no mercado de trabalho, Katiana Normandia percorre escolas públicas e espaços que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade oferecendo oficinas e cursos gratuitos com foco em carreira.

"A ideia é mostrar não só que eles podem ter uma carreira, mas também ocupar outros espaços de carreira que geralmente não recebem o jovem periférico", afirma. A Kinah (expressão de origem africana que significa "pessoa obstinada e empreendedora") surgiu ainda da percepção de que não há conexão entre o jovem que vive nos extremos da cidade com as vagas disponíveis.