09 de julho de 2026
Articulistas

Projeções de uma mente com lembranças

João pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Deixei o cinema naquela tarde com a sensação de que um carro voador rasgaria o céu acima de mim. Tinha eu acabado de ver " De Volta para o Futuro 2" (ou seria 3?) no Cine Bauru. Há outras lembranças marcantes daqueles tempos de projeções na quadra 7 da Treze.

Como quando conferi "Titanic" na estreia. Cine Bauru tão lotado que ficamos, eu e Fabrícia Romanini, sentados na escadinha do corredor. Teve intervalo antes do navio partir (literalmente partir). Intervalo era absurdo. Hoje dá curiosa saudade.

Em "Ghost", coisa de outro mundo: a fila dava volta no quarteirão. Desisti. Já em "A Insustentável Leveza do Ser", com a Patrícia Ioco, pouca gente. Mas gente interessada numa história e tanto.

Duro foi o susto que Cleibe Pinto aplicou: sentou-se ao meu lado em "Cabo do Medo" sem que eu percebesse. Num momento de ápice de suspense na tela percebi, de canto de olho, ele rindo na penumbra da sala. Aquela lindeza.

No final de seus tempos, as poltronas do Cine Bauru já eram prenúncio de um esgotamento decisivo: gastas, algumas rasgadas. Assim foi.

Temos hoje, nas páginas 43 e 44, matéria sobre mais um capítulo dessa história: após demolição do prédio, em 2013, a Federação dos Comerciários adquiriu a área que, atualmente, está à venda. A próxima estrutura a vir abaixo é a que abrigou o Camarim na quadra 8 da Virgílio: a Associação dos Funcionários Públicos do Estado é a nova dona e fará ali sua ampliação.

Assim a vida imita a arte: o futuro toma lugar do passado e, nem sempre com leveza, desperta um certo medo. Alguns planos naufragam, outros ficam insustentáveis. Até lembrei de outro filme: "Um Dia a Casa Cai".